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A dor de ouvidos no bebé e na criança pequena

27 Abril, 2014 0

É uma dor muito comum nas crianças (especialmente entre os três meses e os três anos de idade) e a sua causa mais frequente chama-se otite, infecção do ouvido. Em geral, manifesta-se como uma complicação de uma constipação comum, dor de garganta ou outras infecções do trato respiratório e ocorre sobretudo nos meses de Inverno, especialmente entre Janeiro e Março.

Para entender o porquê desta dor comum nas crianças temos de falar com algum pormenor destes órgãos tão sensíveis que são os ouvidos.

Como não se fecham, os ouvidos estão pouco protegidos, o que os torna mais atreitos à entrada de vírus, bactérias e poluição. O ouvido é constituído por três partes: o ouvido externo (a orelha e o canal auditivo), o ouvido médio (tímpano e uma câmara de ar) e o ouvido interno (órgãos da audição e do equilíbrio).

Ora, a que se deve a dor de ouvidos? É motivada pela acumulação de líquido e por aumento da pressão no ouvido médio. Mas a causa da dor de ouvidos pode não ser necessariamente uma doença do ouvido: infecções e outros problemas do nariz, boca, garganta e articulação do maxilar também podem causar dor. Outra causa da dor de ouvido pode ser a otite externa, devido a processos inflamatórios na orelha, canal auditivo externo ou superfície exterior da membrana do tímpano. Contudo, é a infecção do ouvido médio – otite média – a causa mais frequente da dor de ouvidos na criança.

Mas porquê a importância do ouvido médio? O ouvido médio está ligado à nasofaringe através da trompa de Eustáquio, o que assegura o equilíbrio da pressão entre o ouvido médio e o ambiente exterior. Dito de outro modo, do ouvido médio sai um canal (a trompa de Eustáquio), através do qual os fluídos são drenados para o nariz. Muitas vezes o desconforto começa quando este canal fica entupido. Nos fluídos acumulados, proliferam bactérias ou vírus que podem causar otites.

Como é evidente, há sintomas da otite a que se deve estar atento: dor no ouvido persistente e forte (chamada otalgia), febre, vómitos e diminuição da audição. Em crianças de idade inferior a um ano, a otite pode manifestar-se por irritabilidade, prostração, rejeição dos alimentos, febre (até 40º C), vómitos e diarreia.

Importa ter em conta a particularidade de que nas crianças a trompa de Eustáquio é mais curta e mais estreita do que nos adultos: daí se compreender a maior vulnerabilidade da criança à otite.

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E HÁ SITUAÇÕES DE MAIOR RISCO QUANDO A CRIANÇA:

> Tem menos de dois anos

> Tem antecedentes familiares de doenças respiratórias ou alérgicas

> Tem uma alergia e/ou constipa-se com frequência

> Partilha espaços fechados com muitas crianças > Está exposta a ambientes poluídos, (basta pensar no tabaco).

> Não é amamentada (durante esta fase da vida o leite materno possui anticorpos que ajudam a prevenir infecções).

QUAL A PREVENÇÃO DA OTITE EXTERNA NA CRIANÇA

> Durante o banho (ou duche), o champô e o sabão devem ser mantidos fora do canal auditivo já que podem provocar irritação e prurido favoráveis à infecção;

> Os ouvidos devem ser mantidos tão secos quanto possível. Após tomar banho ou duche ou mesmo nadar, deve-se abanar a cabeça para remover a água do canal auditivo, e secar os ouvidos suavemente com uma toalha;

> O canal auditivo limpa-se por si só, deslocando as células cutâneas mortas desde o tímpano até ao exterior. Recorde-se que o ouvido tem um sistema de autolimpeza, como tal não se deve utilizar nada que empurre a matéria residual para o tímpano, onde se acumula. Os resíduos acumulados e a cera tendem a reter a água que entra no canal quando a criança toma banho ou nada. E a pele molhada e macia do canal auditivo está predisposta a contrair infecções bacterianas ou fúngicas.

QUAL A PREVENÇÃO DA OTITE MÉDIA AGUDA NA CRIANÇA

Não se pode completamente evitar um quadro de otites, no entanto o risco pode ser atenuado quando se tomam vários cuidados:

> Amamentar, pelo menos até aos quatro meses, pois existe comprovadamente uma menor incidência de otites nos bebés amamentados, já que o leite materno confere imunidade;

> Não alimentar as crianças na posição deitada;

> Manter a criança longe de fontes poluidoras, como é o caso do fumo do tabaco;

> Vacinar a criança contra influenza e pneumococos Quando procurar o médico;

> Se a criança tem menos de dois anos, dor de ouvidos e febre, deve levá-la ao médico nas primeiras 24 horas;

> Se tem mais de dois anos e tem dor e febre, deve levá-la se não melhorar com o tratamento indicado pelo médico depois de 48 horas;
> Se tem vómitos e a criança está muito prostrada;

> Se sai líquido ou sangue pelo ouvido;

> Se após três dias de tratamento médico a criança continua com dores, febre ou supuração de ouvido;

> Em crianças com idade entre os 4 e os 24 meses, os pais devem estar atentos, sobretudo após uma constipação, se a criança dorme bem, apresenta irritabilidade ou falta de apetite por mais de um dia.

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