46,9% da população portuguesa infantil apresenta níveis de iodo abaixo do recomendado
Os dados revelados, hoje, sobre a avaliação da carência de iodo em crianças em idade escolar, no nosso país, revelaram um aporte de iodo ligeiramente insuficiente (35,1%) e moderadamente insuficiente (11,8%). Os resultados revelam ainda uma franca melhoria, quando comparados com os dados dos anos 80. Estas são as principais conclusões do “Estudo do Aporte do Iodo em Portugal” apresentado durante o XII Congresso Português de Endocrinologia e que contou com o apoio da Merck Serono.
O estudo revelou também que a carência verificada na Madeira é superior à do continente: 68% das crianças apresentaram níveis de iodo baixos e no continente 46,9%. Enquanto no continente 53,1% das crianças avaliadas apresentaram níveis de iodo adequados, na Madeira apenas 32% o apresentam. Já em termos de carência grave no continente registaram-se 2% e na Madeira 4%.
Da percentagem de escolas estudadas por cada zona do país, as escolas de Aveiro e Coimbra foram as que apresentavam os valores mais baixos. 75% das escolas analisadas nestas duas zonas apresentavam os valores das medianas abaixo do desejado, traduzindo um aporte de iodo insuficiente. Ao observar-se as escolas estudadas noutras zonas, encontramos Bragança com 60% das escolas estudas com valores das medianas menores do que o recomendado, seguido do Porto com 54,5%; Faro e Beja com 50%; Castelo Branco com 40%; Viseu com 33,3%; Lisboa com 26,3%; Portalegre com 25%; e em Leiria e Vila Real nenhuma das escolas analisadas apresentou valores de medianas abaixo do desejado.
Aveiro e Coimbra são as zonas do continente que mostraram maiores carências de iodo (75%). Segue-se o distrito de Bragança com 60%, o Porto com 54,5% e Faro e Beja com 50%. Abaixo dos 50% temos Castelo Branco com 40% e Viseu com 33,3%. Lisboa apenas com 26,3% e Portalegre com 25%. Leiria e Vila Real possuem 0%, ou seja, níveis adequados.
«Em Portugal, graças à profilaxia iodada, levada a cabo no distrito de Castelo Branco, nos anos 60 e 70 e também à melhoria progressiva das redes de comunicação e de distribuição de alimentos, o bócio endémico foi praticamente erradicado. No entanto, pensa-se que o aporte iodado em Portugal está, nos últimos anos, longe de ser suficiente. Considerando os efeitos nefastos do baixo aporte iodado no desenvolvimento cognitivo das crianças há que equacionar, para além da suplementação na gravidez, a profilaxia global mediante a iodização do sal.» defende Edward Limbert coordenador do estudo hoje apresentado.
De acordo com a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) o deficit de iodo é um dos principais factores de risco para o aparecimento de alterações da função da tiróide.
Trabalhos de investigação desenvolvidos recentemente indicam que deficiências moderadas de iodo podem causar alterações importantes, nomeadamente durante a gravidez e a infância, alturas em que a necessidade de iodo aumenta. Uma deficiência de hormonas tiroideias podem resultar em prejuízos no desenvolvimento físico e mental, cuja seriedade depende do grau de insuficiência. Défices baixos e moderados de hormonas tirodeias podem afectar gravemente o coeficiente de inteligência e o crescimento do feto. Assim, é recomendado que todas as mulheres grávidas ou a amamentar tomem suplementos nutricionais diários que contenham iodo.
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