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Viciados em trabalho

19 Setembro, 2014 0

Não consegue desligar do trabalho, nem mesmo à hora do almoço? Sente que a vida só tem sentido se for permanentemente a trabalhar? Não tira férias sem levar trabalho atrás? Se respondeu que sim as estas três questões poderá pertencer ao grupo dos workaholic.

Surgido na década de 80, nos Estados Unidos, o termo workaholic – importado do inglês que significa dependente do trabalho – serve para definir as pessoas que não conseguem colocar um travão nos afazeres profissionais. E como traçar o perfil típico dos “viciados em trabalho”?

“Estes indivíduos distinguem-se pela elevada capacidade profissional. Mas, em contrapartida, demonstram uma baixa competência da expressão emocional e, por conseguinte, relacional”, responde Victor Cláudio, coordenador da área de Psicologia Clínica do Instituto Superior Psicologia Aplicada (ISPA).

Os workaholic são, em regra, “cidadãos isolados”, que encontram no trabalho o ansiolítico natural”. Trabalhar horas a fio é, pois, uma forma de alimentarem o ego e de preencherem as esferas vazias da sua vida pessoal. Como profissionais fora de série, com elevado potencial de produtividade, acabam por não ser “condenados” pela sociedade em que se inserem. Bem pelo contrário. “Opostamente a outras dependências, em que os sujeitos são alvo de críticas, esta compulsão pelo trabalho é alimentada pela recompensa social”, fundamenta o psicólogo.

Assim, movidos pelo estímulo profissional, os workaholics acabam por mergulhar de corpo e alma no trabalho. Dedicam grande parte do seu dia a trabalhar, mesmo aos fins-de-semana e períodos de lazer. Esta compulsão acaba por esconder um estado patológico, que emerge “no exacto momento em que o pilar profissional colapsa”.

“Quando o ser humano está adaptado, em equilíbrio, é sustentado por diferentes tipos de pilares: laboral, relacional, familiar, amigos e hobbies.” Acontece que, no caso dos workaholic, o “edifício” está alicerçado somente no trabalho. E quando o indivíduo já não consegue alcançar as metas profissionais estipuladas, a estrutura começa a ruir “Verifica-se uma sobrecarga no pilar laboral, ao passo que as outras esferas ficam deficitárias. É neste processo de desadaptação que se inicia a patologia”, diz.

 

Ciclo vicioso

Segundo Victor Cláudio, “é esperado que, mais tarde ou mais cedo, a estrutura” que segura o workaholic “comece a colapsar”. “O indivíduo, que antes demonstra uma elevada eficácia profissional, deixa de conseguir realizar tão bem as tarefas e de trabalhar tantos horas”, defende. “A perda da gratificação social, associada ao desinvestimento emocional”, concorrem, assim, para o aparecimento de uma sensação de vazio.

De acordo com o psicólogo, embora não haja estatísticos sobre esta matéria, estima-se que, nos últimos anos, o número de “viciados em trabalho” tenha sofrido um aumento. Este facto decorre “das actuais exigências laborais”. Tratando-se de um “sujeito vulnerável a este tipo de dependência”, a pressão do mercado de trabalho favorece esta compulsão laboral.

Uma das outras explicações encontradas para justificar este “vício” é a incompetência relacional. “Quando o indivíduo falha na esfera de expressão emocional, vai procurar de forma não consciente uma área da sua existência em que se possa sentir valorizado”, salienta o psicólogo. Um divórcio ou uma ruptura relacional podem ser o ponto de partida para este “ciclo vicioso”.

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