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Viciados em trabalho

19 Setembro, 2014 0

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A dependência do trabalho gera, então, um efeito “bola de neve”. “Se o workaholic trabalha 12 horas e passa o restante tempo a pensar em trabalho, não se encontra disponível para cultivar uma relação fora do ambiente laboral”, afirma. Embora possa estar fisicamente com colegas ou amigos, “este indivíduo não está aberto a sistemas relacionais”.

As emoções dos workaholic ficam “congeladas”. As conversas redundam em assuntos de trabalho: o centro das suas preocupações. “Por esta razão”, assegura o psicólogo, “dificilmente, consegue manter uma rede social”. Os momentos de lazer são convertidos em mais trabalho. “O tempo de convívio é encarado como desperdício. E devido a este isolamento constante o workaholic entra num espaço circularmente fechado. Num ponto quase sem retorno.”

De um modo geral, “os workaholic são indivíduos com um grau de exigência elevada”. Assim, para atingirem um patamar de produtividade, os típicos “viciados em trabalho”, elevam a fasquia ao mais alto nível. “Como são profissionais competentes, muitas vezes com uma acelerada progressão na carreira, é-lhes exigido cada vez mais trabalho. O que, por conseguinte, se traduz em menos tempo para sistemas relacionais fora do ambiente laboral.”

Apesar de serem catalogados como “pessoas frias”, não se pode falar em inexistência de emoções. De acordo com o psicólogo, “estes sujeitos vivem as emoções quase de forma vulcânica”. A expressão destes sentimentos é contida de tal forma que, à semelhança de uma panela pressão, pode “explodir em qualquer momento”.

 

Workaholic ou apaixonado pelo trabalho?

Como distinguir um “viciado em trabalho” de um “worklover”? A fronteira pode parecer ténue, mas há, contudo, algumas diferenças significativas. “Um workaholic apresenta um hiper-controlo emocional e uma hiper-valorização através do próprio trabalho”, explica Victor Cláudio.

Para que se possa falar em “dependente”, é preciso que o sujeito esteja totalmente focalizado no trabalho e apresente uma incompetência da expressão emocional”. Por outro lado, apesar das exigências profissionais, o “trabalhador dedicado” não perde de vista as estruturas emocionais”, conseguindo encontrar um meio-termo na sua vida, sem prejudicar a elevada produtividade.

Contra tudo e contra todos, o workaholic, mesmo em período de férias, não deixa o trabalho em mãos alheias. Cortar com a rotina torna-se, assim, para os workaholic a maior das dificuldades.

“Alguns destes indivíduos chegam mesmo a abdicar das férias”, frisa.
Refere o psicólogo que “as novas tecnologias dificultam este distanciamento do trabalho”. É, então, por isso, que a noção de férias para os workaholic é quase inexistente. Com as facilidades em transportar um computador portátil e ligá-lo à Internet, torna-se quase “impossível desligar a corrente do trabalho”.

Privar um workaholic de exercer a sua actividade é, nas palavras de Victor Cláudia, como deixá-lo à deriva. “Se tirarmos o único meio de satisfação do indivíduo, ficará completamente desnorteado.” Para esta patologia, a cura está à distância de sessões psicoterapêuticas. “Nestas consultas ajudamos o indivíduo a desmontar o puzzle, de modo a que este compreenda que existe vida para além do trabalho.”

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