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Verdadeiros heróis!

28 Fevereiro, 2007 0

Os profissionais de saúde são heróis. Emocionalmente espremidos na picadora em que se transformaram as unidades de saúde, aguentam fortes mudanças, alguns colegas insuportáveis e uma população incapaz de compreender as condições em que trabalham.

Esta fase da história está a ser marcada por mudanças profundas no clima do planeta, na maneira de pensar e de agir, nos equilíbrios de forças, na segurança planetária.

O contexto é de mudança. As expectativas não são tão animadoras como outrora. Ao progresso tecnológico contrapõem-se tendências sociais e económicas pouco animadoras. O estado emocional do cidadão comum não é optimista!

Algumas alterações passam despercebidas. São escondidas pelas polémicas da política, pelos bons resultados da «bola», pelo consumismo natalício, por tudo aquilo que nos permite continuar a ter a sensação de que a vida continua na mesma. Mas, efectivamente, os índices depressivos continuam a aumentar.

Descascando as camadas de conhecimento na área da saúde, para além das notícias sobre os medicamentos mais baratos, a imunidade crescente aos antibióticos e o aumento das «taxas moderadoras», percebemos duas alterações profundas que ocorrem em Portugal: a mudança de paradigma (passando agora, finalmente, do modelo biomédico para o de saúde integral) e da sua governação (assumindo, cada vez mais, o conceito de clinical governance).

Com os novos modelos de gestão, as práticas clínicas alteram-se à custa da saúde emocional e da capacidade de adaptação dos seus profissionais (directores de serviços, médicos, enfermeiros, terapeutas, técnicos de laboratório, auxiliares, etc.) às novas exigências de eficácia e eficiência. Os técnicos de saúde são confrontados diariamente com uma população carente e crescentemente revoltada.

Felizmente, os nossos recursos humanos (e o elevado orçamento do Estado na área da Saúde) demonstram ser do melhor que há. Levaram-nos, em 2004, ao 12.º lugar do ranking dos melhores sistemas de saúde do mundo. É heróico, num País em que apenas o futebol consegue melhor: um 4.º lugar no último mundial.

Mas, efectivamente, não há capacidade de gestão e uma estrutura organizacional que impeça a ocorrência de erros e de situações de elevada gravidade nas unidades de saúde. O sistema não está construído para responsabilizar e proteger os seus trabalhadores ou os destinatários da sua acção: nós, cidadãos.

Para que tal acontecesse, necessitávamos de melhorar a capacidade de governo das organizações em aspectos como a segurança, a capacidade efectiva de avaliar para melhorar, de co-responsabilizar (incluindo os cidadãos, principais responsáveis pela sua saúde-doença), de estabelecer laços, de procurar resultados de modo partilhado e cooperante.

Mas, tal desígnio só estará ao alcance de bons gestores com capacidade de liderança como a actual presidente da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan.

Pessoas que assumam que a sua acção será focalizada nos objectivos, baseada numa escuta activa, feita com um coração dedicado, à luz da busca da melhor Saúde possível.

Apesar de existirem algumas «ovelhas ranhosas» na prática clínica, os problemas do nosso sistema não se baseiam na qualidade dos recursos humanos. Estão mais centrados na mudança do paradigma, na incompetência da gestão na administração deste processo e na incompreensão do seu significado por parte dos cidadãos! Neste contexto, os profissionais são os heróis.

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