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Ansiedade, para que te queremos?

1 Março, 2007 0

Definir ansiedade, é sempre complicado… mas, todos sabem o que é e todos conhecem este estado. Não há uma só pessoa que nunca tenha experimentado algum grau de ansiedade, seja por estar a entrar numa sala de aula mesmo antes de um exame, antes de uma reunião importante ou por acordar a meio da noite com a certeza que ouviu um ruído estranho na rua.

Desconhecem é que sensações como tonturas, manchas nos olhos, formigueiros, músculos duros, quase paralisados e impressões de falta de ar ou mesmo de sufocamento ou asfixia, podem também fazer parte da reacção de ansiedade. Quando estas sensações ocorrem e as pessoas não percebem porquê, a ansiedade pode atingir níveis patológicos raiando o pânico, imaginando até que podem ter alguma doença.

Embora por vezes desconfortável, a ansiedade é a reacção ao perigo ou à ameaça. Cientificamente, ansiedades imediatas ou de curto período são definidas como reacções de luta e fuga. São assim denominadas porque todos os seus efeitos estão directamente voltados para lutar ou fugir de um perigo.

Assim, por incrível que pareça, o objectivo número um da ansiedade é o de proteger o organismo! Por exemplo, quando os nossos antepassados viviam em cavernas, era-lhes vital uma reacção automática para enfrentarem os perigos, visando ter uma acção imediata (atacar ou fugir).

Mas, mesmo nos dias agitados de hoje, este é um mecanismo necessário. Imagine-se a atravessar a rua quando de repente um carro, em grande velocidade vai na sua direcção a buzinar freneticamente. Se não tivesse absolutamente nenhuma ansiedade, estaria morto. Contudo, o mais provável é que a reacção de fuga-e-luta tome conta de si e corra para sair do caminho do carro para ficar a segurança.

A moral desta história é simples – a função da ansiedade é proteger o organismo, não prejudicá-lo. Seria completamente inútil a natureza desenvolver um mecanismo cuja função primordial fosse a de proteger o organismo e, por o fazer, prejudicá-lo. Por isso, aceite a sua ansiedade e aprenda a viver com ela…

Acima de tudo, a reacção de luta-e-fuga resulta numa activação geral do metabolismo corporal. Uma pessoa pode ter reacções de calor e/ou frio e, porque este processo utiliza energia, depois a pessoa sentir-se geralmente cansada e esgotada.

Como já referido, o efeito primordial desta reacção é alertar o organismo para a possível existência de perigo, há uma mudança automática e imediata na atenção para pesquisar o ambiente em busca de ameaças em potencial. Por isso, passa a ser muito difícil concentrar-se em tarefas diárias quando alguém está ansioso. As pessoas ansiosas queixam-se frequentemente de ficarem facilmente distraídas durante as tarefas do dia-a-dia, de não se conseguirem concentrar e de terem problemas de memória.

No entanto, nem sempre existe uma razão evidente para a ansiedade e infelizmente, a maioria das pessoas não aceita o facto de não encontrarem uma explicação. Quando as pessoas não conseguem explicar os seus sentimentos tendem a procurar dentro de si. Por outras palavras, “se no exterior nada há de errado, então deve haver algo de errado comigo mesmo”.

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