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Vacinar ou não vacinar contra a gripe no próximo Inverno

3 Outubro, 2010 0

No último ano, nunca se falou tanto de gripe, mais precisamente da pandemia de gripe A. Foi a primeira pandemia do século XXI e durou cerca de 14 meses, de 11 Junho de 2009 a 10 Agosto de 2010. Mas estes 14 meses foram vividos de forma diferente. Com muitas dúvidas e incertezas no início e muita indiferença e desconfiança no fim.

Afinal, a pandemia de gripe não foi tão perigosa como se previra e a maioria dos doentes teve uma forma benigna e ligeira de doença. Ligeira para a maioria, porque lamentavelmente morreram no nosso país 124 doentes, muitos deles, jovens. O dever de responsabilidade e o respeito pelas famílias enlutadas impõem-nos a obrigação de aprendermos com os nossos erros para fazermos ainda melhor no futuro.

Pela primeira vez na história das pandemias, houve uma conjugação de dois factores inéditos: sorte e preparação. Sorte, porque o vírus da pandemia não foi grave, manteve-se estável e poupou os mais idosos. E preparação, porque dispúnhamos de planos de contingência que incluíam procedimentos para os centros de saúde e hospitais, bem como medidas para a população, tais como o reforço do ensino da higiene (por exemplo, a lavagem das mãos e cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar).

Mas o grande avanço na preparação foi dispormos, pela primeira vez, na história da humanidade, de vacinas e medicamentos antivirais contra o vírus da gripe. Desta vez, tivemos sorte e estávamos preparados, mas na próxima pandemia poderemos não ter a mesma sorte, que não depende de nós. É fundamental continuarmos a estar preparados, até porque quem vive só da sorte arrisca-se a que o azar lhe bata à porta.

E a melhor maneira de continuarmos preparados é vacinarmo-nos contra a gripe sazonal, que todos os Invernos ocorre no hemisfério norte. A vacina contra a gripe é segura e eficaz, mas Portugal não dispõe de vacinas para toda a população, pelo que é necessário estabelecer prioridades. Compete à Direcção-geral da Saúde estabelecer essas prioridades, e o critério é totalmente transparente: privilegiar a administração da vacina a quem dela mais necessita por ter um risco acrescido de gravidade caso seja afectado.

Ou seja, dar mais a quem mais necessita. E quem necessita mais são as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, os residentes em lares ou instituições prestadores de cuidados de saúde, as grávidas que em Outubro estejam no 2.º ou 3.º trimestre de gravidez e os doentes com idade superior a seis meses com doenças crónicas pulmonares (por exemplo, asma), cardiovasculares, renais, hepáticas, hematológicas, neuromusculares e metabólicas (por exemplo, diabetes).

A gripe é a principal doença dos adultos, que pode ser prevenida pela vacinação, e não há motivos para dúvidas ou hesitações. Em saúde, o futuro não se prevê, previne-se!

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