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Regresso às aulas a pensar nas costas

5 Outubro, 2010 0

Nos primeiros anos de escolaridade ainda vai sendo possível conter o peso: porque se as disciplinas são poucas, os livros também o são. Porém, à medida que a escolaridade aumenta, o conteúdo da mochila dispara até ao insuportável.

Mesmo que a escola não desperte o maior dos entusiasmos, a verdade é que as crianças adoram mochilas. Todos os anos reclamam uma nova e competem entre si para apurar qual delas é o último grito da moda. E enchem-nos: com livros e cadernos, mas também com uma infinidade de objectos de culto que as tornam pesadas, demasiado pesadas.

São quilos e quilos de material escolar, a juntar ao peso da própria mochila (com todos os acessórios, algumas chegam a pesar quilo e meio). Facilmente se ultrapassa o limite definido pela Organização Mundial de Saúde: 10 por cento do peso da criança.

As costas que o digam. E os ortopedistas também, a braços com um número crescente de crianças que se queixam de dores provocadas por problemas de coluna. Aliás, a OMS estima que 85 por cento da população tem, teve ou terá um dia dores lombares. Problemas que começam logo na infância, quando o esqueleto ainda está em formação e qualquer abuso pode comprometer o seu equilíbrio.

As mochilas são de facto as más da fita desta história, mas o peso não é o único culpado pelas deformações na coluna que afectam as crianças em idade escolar. O tamanho e a posição em que são transportadas também afectam a estrutura óssea. A primeira regra é evitar mochilas grandes demais, porque quanto maiores, mais coisas a criança colocará lá dentro.

A largura deve acompanhar a superfície das costas da criança, não a excedendo. Quanto às alças, devem ser largas, acolchoadas e ajustáveis; aliás, devem estar bem ajustadas ao corpo.

É normal as crianças, mas sobretudo os adolescentes, fazerem pender a mochila de um só ombro.

Porque é mais fixe. Mas é também mais lesivo para o esqueleto, pois entorta a coluna, dando origem à conhecida escoliose.

O ideal seria que as crianças usassem uma mochila com rodinhas, embora também aqui o peso deva ser controlado. Independentemente do modelo, há alguns sinais a que os pais devem estar atentos, observando a postura dos filhos para detectar eventuais desvios. Assim, se a criança andar meio torta e com os ombros descaídos para a frente ou desnivelados, uma consulta médica é indispensável. E esta situação significa que já existe uma alteração considerável.

Por isso, o melhor é prevenir, o que pode passar por ajudá-lo a organizar a mochila antes de sair para as aulas: colocar apenas o material necessário para as disciplinas do dia, sabendo embora que levarão sempre um extra. As dores – as de costas, na criança, e as de cabeça, nos pais – evitam-se estando de olho na mochila.

 

Bem sentados

Tão ou mais importante para a coluna do que o peso da mochila são as cadeiras e as mesas existentes na sala de aulas. A maneira como as crianças se sentam e onde o fazem têm sido menosprezado, com as nossas escolas equipadas de uma forma padronizada, sem atender às diferentes idades logo, diferentes fases do crescimento, dos alunos.

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