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Tuberculose: Bactérias tão teimosas…

16 Novembro, 2013 0

A tuberculose continua a ser uma doença pandémica, por resultar da acção de uma bactéria altamente contagiosa e resistente. Só o cumprimento rigoroso do tratamento, que é moroso, permite erradicar a doença.

Em finais do século XIX, o alemão Robert Koch identificava a bactéria causadora da tuberculose, que ficou assim conhecida como o Bacilo de Koch.

Os pulmões são os principais órgãos afectados pela tuberculose, mas ossos, rins, fígado e intestinos, bem como o sistema linfático, também podem ser atingidos. Nos casos mais graves, o bacilo chega ao sangue, representando uma ameaça para todo o organismo.

Mas só a tuberculose pulmonar é contagiosa, porque através da tosse ou espirros, os bacilos podem ser expulsos, viajando até aos pulmões de outra pessoa.

Quando o doente tosse, espirra ou fala, liberta enormes quantidades de bacilos, que, uma vez inalados por alguém saudável, se alojam nos pulmões, podendo permanecer inactivos por força da acção do sistema imunitário. Quando o sistema imunitário é fragilizado por alguma outra doença, como a sida, o cancro, a diabetes ou o alcoolismo, acaba por não resistir, permitindo que as bactérias da tuberculose se multipliquem provocando verdadeiros buracos nos pulmões, um “paraíso” para a sua multiplicação e disseminação, activando a tuberculose.

Por isso, o risco para a saúde pública é mais acentuado em regiões de elevada densidade populacional, em espaços confinados e mal ventilados e com deficientes condições higieno-sanitárias.

Prevenir o contágio é possível mediante a utilização de máscaras pelo doente, limitando a quantidade de bacilos expelidos, e pelas pessoas em contacto com doentes, impedindo a inalação de bacilos de Kock.

A tuberculose não se transmite através do sangue nem por via sexual, embora o contacto íntimo próprio de uma relação sexual favoreça o risco de contágio.

A vacina que previne as formas mais graves de tuberculose – a BCG – integra, há décadas, os planos de vacinação de recém-nascidos.

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Tosse medonha

Uma tosse persistente, durante duas ou mais semanas, acompanhada de expectoração que pode conter sangue, é o sintoma mais típico da tuberculose.

Mas uma perda súbita e inexplicável de peso, fadiga, perda de apetite, suores nocturnos e febre baixa são sintomas adicionais da tuberculose pulmonar, já que nas outras modalidades, os sintomas envolvem o órgão atingido, como sangue na urina nas afecções dos rins ou dores se os bacilos actuarem nos ossos e articulações.

De uma tosse suspeita até a um diagnóstico definitivo, o processo é longo, começando por uma microrradiografia do tórax e pela chamada prova da tuberculina (um teste cutâneo), passando por testes laboratoriais dos tecidos ou líquidos biológicos colhidos no doente – expectoração, secreções brônquicas, urina, sangue ou fezes.

Na maioria dos casos, a doença não carece de internamento, podendo ser tratada em ambulatório. Mas o cumprimento integral e rigoroso da terapêutica é essencial para o sucesso. O tratamento é moroso – seis a 12 meses – e a escolha dos antibióticos depende da idade, do estado de saúde geral do doente e do tipo de tuberculose.

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