“Transportar os dados da investigação para o doente individual é a arte da medicina”
Esta abordagem exclui a actualização clínica por intermédio de outras fontes?
Os médicos têm um período limitado de aprendizagem e actualização, como é de todo sabido, pelo que temos de o racionalizar extraordinariamente. Este instrumento não pretende anular outras fontes de informação. Antes pelo contrário: é um suplemento da aprendizagem livresca.
Esta ferramenta vai permitir a partilha de informação e a troca de experiências?
Os cursos do BMJ learning e o univadis funcionam em moldes fechados. A informação já aparece sintetizada e “mastigada”. Com este método vamos racionalizando a prática clínica, pensando no doente e respondendo às perguntas, seguindo uma lógica sequencial.
Quem são os destinatários do univadis?
Esta plataforma contém informação útil para os prestadores de cuidados de saúde primários, assim como para outros especialistas. Eu diria que qualquer médico que tenha contacto com doentes encontra imensa informação útil. Se o médico tiver de prescrever medicamentos, fazer diagnóstico, se tiver de tratar, esta é, sem dúvida, uma fonte notável.
A Formação médica contínua online é uma novidade em Portugal. O online é o futuro da aprendizagem?
As tecnologias de informação actuais, quando aplicadas à saúde, têm dois níveis de informação. O Sistema Nacional de Saúde, se totalmente informatizado, drena todas as informações para uma base de dados diária. Se, em cima disso, colocarmos um sistema de informação clínica integrado, diminui-se a variação da prática clínica. Por exemplo, imagine-se um doente com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2. Se integrar esta informação, posso saber qual é o medicamento de primeira linha ou, ainda, qual o procedimento regular de diagnóstico. Esta ferramenta simplifica o papel do médico, porque a informação vai sendo fornecida.
Este instrumento permite, então, uma interactividade com o acto médico…
Mais do que criar um repositório dos dados clínicos do utente, pretende-se potenciar a interactividade com o médico, à medida que se vai introduzindo informações e obtendo respostas.
Com esta ferramenta há possibilidade de reduzir o erro?
Errar é humano, mas se a informação for flexível e inteligente, no sentido de determinar o que se está a fazer, menor a probabilidade de erro. Imagine-se que em vez de oito unidades de insulina prescrevo, por engano, 80. O software produz alertas e encarrega-se de eliminar estes erros. A prevenção do erro passa pela disponibilização de limites nas acções. Ao fornecer-me informação, o sistema vai ajudar a diminuir a qualidade de falhar por defeito.
O carimbo do British Medical Journal (BMJ) é, por si só, um mecanismo depurador da informação?
A informação apresentada, em inglês técnico, np univadis tem este selo de qualidade. O BMJ marca a agenda e, desse ponto de vista, os médicos contam com uma informação gratuita e de grande qualidade. Para terem acesso a esta ferramenta, basta apenas proceder a um registo no site.
Quem é o Prof. António Vaz Carneiro?
Aos 57 anos, o director do Centro de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE), da Faculdade de Medicina de Lisboa tem um percurso notável. Formado em Medicina Interna, António Vaz Carneiro especializou-se, ainda, em Nefrologia, em São Francisco, nos Estados Unidos da América. No final dos anos 80, após a sua estadia de quase dez anos no outro lado do Atlântico, regressou a Portugal onde trabalhou na área de Cuidados Intensivos, no hospital de Santa Maria. Esta tornou-se a sua “segunda casa”, já que o CEMBE, um organismo que dirige, se localiza no interior das instalações desta unidade hospitalar. Hoje em dia, 90% do seu tempo é passado no CMBE, onde ensina, realiza investigação clínica e produz informação/conhecimento para todo os níveis do Sistema Nacional de Saúde.

