Tabaco: Vale sempre a pena deixar de fumar
Estes efeitos, já de si muito positivos, consolidar-se-ão com a manutenção da evicção tabágica. Assim, cinco anos após a interrupção de fumar o risco de enfarte do miocárdio diminui para cerca de metade, sendo esse risco igual ao de um não fumador aos 10 anos, altura em que o risco de contrair cancro do pulmão cai para metade.
Parar de fumar dar-lhe-á mais saúde e qualidade de vida. Se não o conseguir fazer sozinho não hesite: peça ajuda ao seu médico, pois nos dias de hoje os métodos de apoio ao fumador são muito eficazes. Até mesmo o facto de poder ganhar peso pode ser minimizado com um adequado aconselhamento dietético. E não se esqueça do impacto favorável sobre as suas finanças: se fuma um maço de cigarros por dia, ao deixar de fumar poupará, por ano, à volta de 1500 euros, dinheiro que poderá gastar em algo que lhe dê prazer e não lhe arruíne a saúde. Força, vale mesmo a pena.
A Lei 97/2007, também conhecida como a lei do tabaco, a constante informação que se tem fornecido à população e o progressivo aumento do preço do tabaco têm-se comportado como verdadeiros agentes dissuasores do hábito de fumar. Porém, apesar de importantes, estas componentes motivacionais ainda não penetraram numa fatia significativa dos fumadores activos. E os motivos são conhecidos: a lei do tabaco teve como principal objectivo proteger os não fumadores; as acções de educação para a saúde não têm tido a competência e a eficácia necessárias, talvez por falta de meios financeiros e humanos; o preço do tabaco não tem registado o aumento que muitas organizações que combatem o tabagismo preconizam – é o caso da Fundação Portuguesa do Pulmão.
Presentemente, nas sociedades evoluídas, o tabaco é a principal causa de morte evitável, sendo responsável por cerca de 10% das mortes que ocorrem no mundo – mais de 5 milhões de óbitos anuais. Muitas formas de cancro, tais como o da faringe, pulmão ou bexiga, ou doenças temíveis como as cardiovasculares ou a Doença Pulmonar Obstrutiva Cónica têm uma relação directa com o hábito de fumar.
É, pois, uma prioridade ajudar todos aqueles que fumam a deixar de fazê-lo. E se o objectivo não é fácil – o tabaco, através da nicotina, cria uma forte dependência – nos dias de hoje a taxa de sucesso dos tratamentos antitabágicos, quando bem dirigidos, é muito boa. Daí a pergunta: porque há ainda tantos doentes fumadores a não pedir ajuda?
A resposta é multifactorial, porém uma das razões apresentadas é a de que não vale a pena porque os benefícios não compensam os sacrifícios; por exemplo, vai ser muito caro, vai-se ganhar peso, etc. É para estes doentes que este artigo se dirige: vale muito a pena e os benefícios de se deixar de fumar começam imediatamente após a respectiva interrupção!
Assim, aos 20 minutos a pressão arterial e a frequência cardíaca voltam a valores normais; ao fim de 8 horas os níveis de nicotina e de monóxido de carbono (um gás venenoso que se inala com o fumo do tabaco) baixam para metade; após 24 horas o monóxido de carbono começa a ser eliminado e os pulmões começam a libertar os resíduos tabágicos; às 48 horas a nicotina deixa de ser detectada no organismo, ao mesmo tempo que melhora o olfacto e o paladar; às 72 horas começa a diminuir a inflamação e a irritação da árvore brônquica, pelo que o doente sente a respiração processar-se com maior facilidade; os efeitos favoráveis sobre a circulação sanguínea começam a verificar-se às 2-12 semanas; os sintomas respiratórios, como a tosse, a expectoração e a pieira sofrem uma melhoria significativa aos 3-9 meses período em que a função respiratória sofre um incremento de cerca de 10%.

