Tabaco mata mais 7,9 % do que o álcool
Pelo contrário, os problemas de saúde gerados pelo tabaco são mais discretos e silenciosos e demoram mais tempo a manifestar-se, pelo que geram um menor impacto junto do público.
Os resultados deste estudo, bem como da literatura científica não devem ser menosprezados pelos decisores: o tabaco é uma fonte de problemas maiores que os do álcool pelo que é difícil aceitar que receba uma menor prioridade no contexto da política de saúde, nomeadamente fazendo uso dos instrumentos terapêuticos disponíveis, incluindo tratamentos e medicamentos”, alerta o Prof. Miguel Gouveia
Estes dois problemas de saúde pública foram o mote para uma reflexão nacional no Fórum Portugal sem Fumo, que se realizou no passado dia 15 de Setembro, pelo segundo ano consecutivo.
Um painel de especialistas constituído por entidades de várias áreas e sectores públicos, privados e sociais, reuniu e discutiu os resultados deste estudo e produziu Recomendações para serem divulgadas publicamente e às Autoridades de Saúde.
Resumo do Estudo
Estudo Comparativo dos Custos e Carga da Doença do Tabagismo e Alcoolismo em Portugal
1. O tabaco e o álcool são dois produtos com efeitos negativos nos níveis de saúde e nos custos do sistema de saúde. Este trabalho baseou-se em dois estudos, um sobre o tabaco, apresentado em 2007 e outro sobre álcool, realizado este ano, para comparar quantitativamente os efeitos do tabaco e do álcool tomando como base os dados para Portugal em 2005.
2. A comparação entre tabaco e álcool foi motivada pela importância inquestionável e consensual do álcool. Acertadamente, os decisores e o público em geral têm poucas dúvidas sobre as implicações que o consumo excessivo de álcool tem para a saúde da população. Como se comparam os efeitos do tabaco, de que muitos parecem estar menos conscientes, com os de um mal tão conhecido como o álcool?
3. Uma primeira forma de medir os efeitos na saúde é pelo impacto na mortalidade. Em 2005, em Portugal (Continente), morreram cerca de 108 mil pessoas. Estimamos que o tabaco tenha sido responsável por cerca de 12600 mortes, 11.7% do total. Ao álcool são atribuíveis 4050 mortes, 3,8% do total. Ou seja, o tabaco matou 3 vezes mais que o álcool.
4. Mas a mortalidade é um indicador pobre porque ignora as pessoas que ficam doentes e têm incapacidades mas que não morreram. Por essa razão, peritos de várias instituições internacionais, em particular da Organização Mundial de Saúde, conceberam uma medida, os DALYs, que mede as perdas de saúde quer devido à mortalidade quer devido à doença não fatal. As unidades desta medida são os “anos de vida ajustados pela incapacidade”. Estimamos que em 2005 o tabaco tenha sido responsável por se terem perdido 146 mil anos de vida. Em contraste, o álcool gerou uma perda de um pouco menos de 43 mil anos de vida. Em suma, o tabaco provocou danos na saúde dos portugueses 3,5 vezes maiores que o álcool.
5. Do lado dos custos, estimamos que o tabaco tenha sido responsável por €126 milhões de custos com internamentos hospitalares e por mais de €364 milhões de custos no ambulatório (medicamentos, consultas em centros de saúde e nos hospitais, meios complementares de diagnóstico, etc.), num total de €490 milhões. Por comparação ao álcool são atribuíveis €93 milhões de custos no ambulatório e €96 milhões em internamentos, num total de €189 milhões. Resumindo, os custos atribuíveis ao tabagismo são 2,6 vezes maiores que os atribuíveis ao consumo de álcool.

