Tabaco mata mais 7,9 % do que o álcool
6. Não está em causa a importância dos problemas devidos ao álcool, considerados consensualmente muito graves, mas também não deveria estar em causa que o tabagismo é um problema de saúde ainda maior e que não deve ser subestimado quando se definem as prioridades da política de saúde.
Prof. Miguel Gouveia
Centro de Estudos Aplicados, FCEE, Universidade Católica Portuguesa
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O Estudo Comparativo dos Custos e Carga da Doença Atribuíveis ao Tabaco e ao Álcool, realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa (CEA) e pelo Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) da Faculdade de Medicina de Lisboa e liderado pelos Professores Miguel Gouveia e António Vaz Carneiro, respectivamente, teve como principal objectivo estimar comparativamente a carga e os custos da doença atribuíveis a ambas as adições, tomando como base os dados das estatísticas demográficas e de saúde disponíveis em Portugal para o ano de 2005.
As conclusões vêm demonstrar que o tabagismo é a principal causa de morte: apenas 3,8% das mortes em Portugal, 4.054 óbitos, são atribuíveis ao álcool, enquanto que 11,7% são atribuíveis ao tabagismo, 12.615 óbitos, num total de 107.839 mortes.
Ao estimar a carga global da doença, verifica-se que os anos de vida perdidos ajustados por incapacidade para as doenças atribuíveis ao Tabagismo foram de 145.801, enquanto que para as doenças atribuíveis ao alcoolismo foram 41.257. Esta medida dá-nos o valor dos anos de vida perdidos por morte e incapacidade (redução da Qualidade de Vida) atribuível a estas patologias.
No alcoolismo, as doenças do fígado (28,3%) e os acidentes de viação (26,2%), foram as maiores origens da carga da doença, ao passo que no caso do tabagismo, as doenças respiratórias (49,4%) e o cancro (26%) foram as principais.
De salientar ainda que, o total de 96,3 milhões de Euros para os custos com internamentos atribuíveis ao consumo de álcool é inferior aos 126,2 milhões de Euros estimados para os custos com internamento atribuíveis ao tabagismo. Quanto analisamos os dados de Custos Totais (internamento + ambulatório), verificamos que, os custos de tratamento das doenças atribuíveis ao tabagismo (489 Milhões de Euros) são mais do dobro dos custos de tratamento das doenças atribuíveis ao alcoolismo (189 Milhões de Euros).
O estudo veio também tornar ainda mais claro que o tabagismo não tem qualquer benefício para a saúde humana, nem mesmo moderado. Enquanto que o álcool, como se sabe, pode ter alguma mais-valia, quando consumido de uma forma moderada, nomeadamente para algumas patologias, como a doença coronária e a litíase. Como conclui o Prof. Miguel Gouveia: “Não há nenhuma maneira de se usar bem o tabaco”.
“No alcoolismo, os problemas de saúde como sejam os acidentes de viação ou os casos de violência doméstica têm uma natureza tal que os torna fortemente presentes na consciência do público e dos decisores com responsabilidade na política de saúde.
Daí que o sistema de saúde português desde há longos anos contemple a existência de instituições e dedique recursos para prevenir e tratar os malefícios do consumo de álcool, incluindo a comparticipação de tratamentos e medicamentos.

