Sexualidade, Cultura e Internet » Disfunções sexuais podem ter origem em aspectos «não sexuais»
O psiquiatra conclui referindo que, «apesar das grandes mudanças sociais e culturais resultantes da chamada libertação das mulheres, atitudes quotidianas e mentalidades não terão mudado assim tão significativamente, continuando a existir padrões culturais dominantes ou hegemónicos».
Dito de outra forma, «se calhar mais importante que as próprias práticas sexuais será a imagem ou o conceito que cada um constrói e tem da sua própria sexualidade».
O «cibersexo em chats»
Falar actualmente de sexualidade implica falar também de «Sexo, Cultura e Net». Porque a Internet é um engenho de mudança social, porque é um espaço privilegiado para a interacção social e para o sexo. Como diz a Dr.ª Ana Carvalheira, psicóloga, a Internet, hoje, é um mundo sem fronteiras geográficas, um território livre, que pela fácil acessibilidade e os baixos custos permite uma enorme diversidade de relações, bem como o acesso a todas as formas de actividade sexual.
O sexo é o tópico mais procurado na Internet. As motivações?
«Procura de informações, compra e venda de material sexual para uso off-line, procura de material com objectivo de entretenimento ou masturbação on-line, de parceiros sexuais para relação duradoura ou transitória, prostitutas, swingers, agências, chats», responde.
Mas Ana Carvalheira quis saber mais sobre o assunto. Fez um estudo com o Dr. Allen Gomes, sobre «cibersexo nos chats”, que incluiu uma amostra de 400 pessoas, e encontrou o seguinte: «Há um predomínio da participação masculina, a maioria são jovens dos 15 aos 24 anos e 8,3% gastam mais de duas horas por dia em cibersexo.»
Explica a psicóloga que o objectivo deste estudo foi tentar uma caracterização dos utilizadores, saber quem são essas pessoas que se envolvem no cibersexo em chats, porque é que se envolvem e quais as motivações.
E ainda tentar perceber e identificar alguns comportamentos relativos ao cibersexo, avaliar o tempo gasto nessa actividade e conhecer o papel do anonimato.
Qual é então o papel do anonimato?, pergunta.
«Parece ser, efectivamente, protector e libertador para todos que têm poucas competências sociais. Parece ser facilitador da desinibição social e, por conseguinte, serve mais para tirar máscaras do que para as colocar», conclui.
Neste estudo, parece haver, refere, «duas tendências principais dentro do que é a diversidade ou dois grupos principais de pessoas. Por um lado, um grupo de sujeitos que utilizam os chats como ponto de partida para futuro encontro real. Pretendem chegar rapidamente ao sexo, não têm tempo para os jogos de sedução. Por outro lado, um segundo grupo, que prefere o cibersexo. Sem nenhum interesse num encontro real, quer manter-se on-line. Aqui, o anonimato parece ser o grande atractivo. Este grupo constitui uma minoria.
Para concluir, Ana Carvalheira subscreve uma frase de Cooper: «A sexualidade na Internet pode ser conceptualizada num contínuo que vai desde a expressão sexual normal e enriquecedora (por permitir a exploração e o aumento de repertório e de interesses) até às expressões mais patológicas.»
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