Puberdade: Períodos difíceis para as adolescentes
A essa situação dá-se o nome de amenorreia – ausência de período – e pode ser primária, quando é causada por um desequilíbrio hormonal ou um problema de desenvolvimento, ou secundária, quando há uma pausa súbita e superior a seis meses em raparigas que tiveram normalmente o seu ciclo menstrual.
Também aqui a gravidez é a primeira hipótese a considerar, mas há outros factores que contribuem para a amenorreia: baixos níveis da hormona que controla a ovulação e o ciclo menstrual, perda significativa de peso, stress, anorexia, problemas da tiróide, quistos no ovário, entre outros.
Uma das causas frequentes é o exercício excessivo combinado com uma alimentação pobre: o resultado é a perda de peso ou a incapacidade de ganhar peso numa fase da vida que é de crescimento.
Não se trata aqui de actividade física normal, como a que se pratica na escola ou no ginásio, mas sim de um esforço contínuo e intensivo, em que se treina várias horas por dia, quase toda a semana, sem que se ingiram calorias, vitaminas e minerais suficientes.
Em matéria de período menstrual o excesso é sempre negativo. Se as irregularidades no fluxo são normais, o mesmo não acontece se há fortes e prolongadas hemorragias todos os meses. É o que se verifica na menorragia, situação que causa grande desconforto e pode até interferir no quotidiano.
Na sua origem está, geralmente, um desequilíbrio hormonal, desta vez entre os níveis de estrogénios e os de progesterona. Em consequência, o endométrio (tecido que reveste internamente o útero e que é expelido quando não há fecundação) continua a crescer, resultando numa hemorragia excessiva.
Mas há outras causas possíveis: pólipos benignos no útero, problemas de tiróide, desordens de coagulação do sangue, inflamação ou infecção do colo do útero ou da vagina.
Muito incómodos e a requerer atenção médica são os períodos dolorosos. Não as cãibras próprias dos primeiros tempos, mas a dor severa que interfere com o sono e a capacidade para as tarefas diárias.
A dismenorreia – assim se designa esta condição – pode ser primária, se a responsabilidade for do químico prostaglandina, ou secundária, se tiver subjacente um problema físico, como quistos uterinos, endometriose, doença inflamatória pélvica.
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Gestos de conforto
A maioria dos problemas menstruais que surgem na puberdade é benigna e passageira. Podem até não requerer tratamento, mas para chegar a essa conclusão o médico procede a uma série de exames de modo a identificar a causa.
Se não houver uma causa médica, as cãibras e dores mais severas ultrapassam-se com recurso a analgésicos ou anti-inflamatórios. Se forem detectados quistos podem ser removidos.
A endometriose – situação em que o revestimento uterino cresce fora do útero – pode ser resolvida com medicamentos ou cirurgia. E os desequilíbrios hormonais superam-se com a toma da pílula contraceptiva ou de fármacos com progesterona e/ou estrogénios.
Mas, como o melhor é sempre prevenir, há um conjunto de cuidados que contribuem para o conforto nos chamados dias difíceis: uma alimentação equilibrada com frutas e legumes frescos, redução do consumo de sal e cafeína, um banho morno para relaxar… E relaxar pode ser mesmo fundamental se a adolescente apresentar alguns sinais típicos da síndrome pré-menstrual, sobretudo os de raiz psicológica como a irritabilidade.

