São assim os piolhos: hóspedes indesejáveis na cabeça de pequenos e graúdos. Não são um problema de saúde, mas incomodam e muito.
Chama-se pediculose à infestação por piolhos. Acontece com mais frequência nas crianças, porque a proximidade física entre elas propicia a propagação, mas os adultos não estão a salvo, até porque basta um piolho para, em poucos dias, toda uma família ser assaltada pela comichão típica da pediculose.
Como não tem asas, o piolho não voa nem salta. Mas isso não limita a sua capacidade de passar de uma cabeça para outra. Desliza à boleia dos fios de cabelo ou de objectos como bonés, pentes e escovas, ganchos ou fitas. E até as toalhas, as almofadas e os lençóis servem de intermediário para atingirem um novo hospedeiro.
Nos cabelos, o piolho encontra abrigo e alimento. Escondido, agarra-se ao couro cabeludo, de cujo sangue se alimenta. As suas seis pernas curtas estão, aliás, adaptadas a esta forma de sobrevivência, tal como a boca está preparada para picar a pele e sugar o sangue através desse minúsculo orifício. A cada picadela, injecta uma espécie de anestesia e um anticoagulante que – como o nome indica – visa impedir que o sangue coagule e, assim, facilitar a sua alimentação.
Rapidamente, um único piolho se multiplica. Diariamente, põe seis a oito ovos, que se colam aos cabelos – são as lêndeas. Sete a dez dias mais tarde, esses ovos – semelhantes a glóbulos quase microscópicos – eclodem, deles nascendo novos insectos. Desse processo fica uma espécie de casca vazia de cor pérola, mais fácil de localizar mas mais difícil de remover do que os piolhos.
Cada piolho sobrevive 20 a 30 dias no cabelo, mas é tempo mais do que suficiente para causar muito incómodo. Um incómodo de dimensão muito superior aos cerca de quatro milímetros que estes insectos apresentam, em média.
Comichão, muita comichão…
Quando algo vai mal no reino capilar e a culpa é da pediculose o gesto mais imediato é coçar. A comichão é mesmo muito intensa, quase incontrolável e deve-se ao líquido anticoagulante que os piolhos injectam na pele. Enquanto eles se alimentam, o incómodo aumenta: levam-se as mãos à cabeça na tentativa de lhe pôr fim, mas na verdade o alívio é apenas momentâneo. E, além disso, de tanto coçar, corre-se o risco de causar escoriações na pele, que se podem complicar com infecções bacterianas.
As crianças são as principais vítimas da pediculose, seguindo-se as mulheres e só depois os homens. Esta hierarquia prende-se, em primeiro lugar, com a proximidade que existe entre os mais pequenos, no infantário, na escola ou mesmo no parque infantil. Já a distinção entre sexos, advém provavelmente do facto de, tradicionalmente, o corte de cabelo masculino ser mais curto, com os pêlos mais rentes, o que os torna menos atractivos para os piolhos.
Ainda assim, a verdade é que os piolhos não revelam grandes preferências: não lhes importa a idade nem o sexo dos hospedeiros, nem sequer o estado de higiene dos cabelos.
Há quem pense que surgem apenas em cabelos pouco limpos, o que explica o embaraço associado à pediculose. Mas na verdade eles também gostam de asseio.
[Continua na página seguinte]
Piolhos à distância
A facilidade com que os piolhos se propagam faz com que seja fundamental atacar o problema o mais cedo possível. Antes de mais, há que estar atento aos sinais de incómodo, sobretudo agora que é tempo de regresso às aulas. As crianças voltam a estar juntas, o que aumenta o risco.
Assim, há que vigiar atentamente a cabeça dos mais pequenos. Pode acontecer que eles não se queixem, apesar de sentirem irritação do couro cabeludo. Mas acabam por se coçar com mais regularidade e intensidade do que habitualmente.
Uma inspecção ao couro cabeludo é suficiente para fazer o diagnóstico. O passo seguinte é tratar, recorrendo a um champô anti-parasitário com o qual se lava a cabeça, de preferência à noite, prestando especial atenção à zona atrás das orelhas e à nuca, os locais preferidos para os bichinhos instalarem os seus ninhos. Uma vez lavada a cabeça, há que pentear os cabelos com um pente fino, com intervalos apertados entre os dentes.
Existem, aliás, pentes específicos para esta função, disponíveis na farmácia. Após a aplicação dos produtos, deve lavar-se muito bem as mãos e evitar que entrem em contacto com olhos, nariz e boca. É que possuem agentes químicos que podem ser irritantes. E no dia seguinte, deve lavar-se a cabeça como habitualmente, já não com o champô anti-parasitário, cujas aplicações devem ser intervaladas em pelo menos sete dias.
Como os piolhos podem invadir roupas e outros objectos pessoais que estejam em contacto com a pele, há que lavar tudo a 60º, desde os lençóis aos bonés, passando pelos pentes. É a única forma de os eliminar, na medida em que são capazes de sobreviver durante algum tempo fora do couro cabeludo.
O tratamento deve estender-se a toda a família, dado o elevado risco de contágio. Todavia, há que acautelar o uso indiscriminado destes produtos, porquanto pode causar resistência nos piolhos. Além disso, a sua composição química pode danificar o couro cabeludo e os cabelos, pelo que não devem ser usados na higiene regular.
É difícil prevenir o aparecimento de piolhos. Eles chegam de surpresa e instalam-se de armas e bagagens no couro cabeludo, pelo que a melhor defesa ainda é manter uma vigilância rigorosa da cabeça, sobretudo se há crianças em casa. No banho, uma espreitadela mais minuciosa ao cabelo pode ser fundamental para intervir a tempo e evitar que toda a família seja vencida pela vontade de coçar, coçar, coçar…
Champô e pente, armas anti-piolhos
O método para eliminar os piolhos do couro cabeludo conjuga a aplicação de um produto anti–parasitário, que os mata, e um pente próprio, que os remove:
• Lava-se o cabelo com o champô ou loção, seguindo as instruções de uso;
• Desembaraça-se o cabelo ainda húmido, dividindo-o em secções;
• Coloca-se uma toalha branca sobre os ombros, de modo a que os piolhos e lêndeas fiquem visíveis ao cair;
• Com o pente de dentes muito finos, escova-se cada madeixa, da raiz às pontas;
• A cada passagem, limpa-se o pente a um lenço de papel branco;
• Esta operação pode ser repetida as vezes suficientes para deixar a cabeça livre de piolhos, mas os produtos só se podem aplicar novamente uma semana depois.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
ww.anf.pt