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Piolhos: Hóspedes indesejáveis

3 Outubro, 2009 0

São assim os piolhos: hóspedes indesejáveis na cabeça de pequenos e graúdos. Não são um problema de saúde, mas incomodam e muito.

Chama-se pediculose à infestação por piolhos. Acontece com mais frequência nas crianças, porque a proximidade física entre elas propicia a propagação, mas os adultos não estão a salvo, até porque basta um piolho para, em poucos dias, toda uma família ser assaltada pela comichão típica da pediculose.

Como não tem asas, o piolho não voa nem salta. Mas isso não limita a sua capacidade de passar de uma cabeça para outra. Desliza à boleia dos fios de cabelo ou de objectos como bonés, pentes e escovas, ganchos ou fitas. E até as toalhas, as almofadas e os lençóis servem de intermediário para atingirem um novo hospedeiro.

Nos cabelos, o piolho encontra abrigo e alimento. Escondido, agarra-se ao couro cabeludo, de cujo sangue se alimenta. As suas seis pernas curtas estão, aliás, adaptadas a esta forma de sobrevivência, tal como a boca está preparada para picar a pele e sugar o sangue através desse minúsculo orifício. A cada picadela, injecta uma espécie de anestesia e um anticoagulante que – como o nome indica – visa impedir que o sangue coagule e, assim, facilitar a sua alimentação.

Rapidamente, um único piolho se multiplica. Diariamente, põe seis a oito ovos, que se colam aos cabelos – são as lêndeas. Sete a dez dias mais tarde, esses ovos – semelhantes a glóbulos quase microscópicos – eclodem, deles nascendo novos insectos. Desse processo fica uma espécie de casca vazia de cor pérola, mais fácil de localizar mas mais difícil de remover do que os piolhos.

Cada piolho sobrevive 20 a 30 dias no cabelo, mas é tempo mais do que suficiente para causar muito incómodo. Um incómodo de dimensão muito superior aos cerca de quatro milímetros que estes insectos apresentam, em média.

 

Comichão, muita comichão…

Quando algo vai mal no reino capilar e a culpa é da pediculose o gesto mais imediato é coçar. A comichão é mesmo muito intensa, quase incontrolável e deve-se ao líquido anticoagulante que os piolhos injectam na pele. Enquanto eles se alimentam, o incómodo aumenta: levam-se as mãos à cabeça na tentativa de lhe pôr fim, mas na verdade o alívio é apenas momentâneo. E, além disso, de tanto coçar, corre-se o risco de causar escoriações na pele, que se podem complicar com infecções bacterianas.

As crianças são as principais vítimas da pediculose, seguindo-se as mulheres e só depois os homens. Esta hierarquia prende-se, em primeiro lugar, com a proximidade que existe entre os mais pequenos, no infantário, na escola ou mesmo no parque infantil. Já a distinção entre sexos, advém provavelmente do facto de, tradicionalmente, o corte de cabelo masculino ser mais curto, com os pêlos mais rentes, o que os torna menos atractivos para os piolhos.

Ainda assim, a verdade é que os piolhos não revelam grandes preferências: não lhes importa a idade nem o sexo dos hospedeiros, nem sequer o estado de higiene dos cabelos.

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