Setembro marcou o início do Outono e, com ele, o início da época gripal. É a partir de agora que o vírus influenza se torna mais activo, a recomendar a vacinação anual de quem é mais vulnerável.
O vírus influenza, responsável quer pela gripe sazonal como pela pandémica, foi identificado pela primeira vez em 1933, mas muito antes disso já lhe eram atribuídas epidemias, com populações inteiras mortas à custa da sua grande agressividade.
Periodicamente, surge um novo subtipo do vírus no homem que origina uma pandemia. Assim aconteceu entre 1918 e 1919, com a chamada gripe espanhola ou gripe pneumónica.
Veio, como habitualmente, da Ásia e, a partir da Europa, atravessou o Atlântico e chegou às Américas.
Espalhou-se com extrema facilidade, aproveitando a concentração das tropas nos campos de batalha e nos aquartelamentos. De tal forma que custou mais vidas do que a primeira guerra mundial.
Este vírus beneficia para a sua propagação da proximidade física: é essa uma das explicações para a facilidade do contágio. Basta um acesso de tosse, um espirro ou até a fala para que gotículas de saliva sejam expelidas e, à boleia do ar, alcancem sistemas respiratórios alheios. Se essas gotículas estiverem infectadas num instante espalham a doença.
E em pouco tempo uma única pessoa pode infectar muitas outras. Também o seu curto período de incubação contribui para a perigosidade do vírus: é que uma pessoa pode transportá-lo consigo durante muito tempo, sem saber que está doente mas infectando outras. E as crianças ainda o transportam por mais tempo do que os adultos, o que as torna as principais disseminadoras da gripe.
Além de agressivo, este é um vírus versátil, apresentando-se todos os anos com características diferentes – são as estirpes, que vão evoluindo a cada Inverno a partir das suas origens asiáticas até se manifestarem no ocidente. Nesse percurso, há mudanças que podem ser difíceis de prever.
É pelas vias respiratórias que o vírus penetra no organismo, com a gripe a causar sintomas como febre elevada (superior a 38 ºC), arrepios intensos, calafrios, dores de cabeça e musculares muito fortes, mal-estar generalizado e falta de apetite.
A estes sintomas outros se lhe podem juntar: é o caso da tosse seca, obstrução nasal ou da laringe, rinorreia (pingo no nariz) que começam subitamente e que leva quase sempre o doente à cama (ver quadro).
O período de convalescença da gripe é geralmente prolongado, sendo que usualmente, os sintomas são mais intensos nos primeiros 2-3 dias e atenuam ao fim de 5 dias. A maioria das pessoas recupera após 1 semana porém, a tosse e os sintomas de fadiga podem persistir 2-3 semanas.
Assim se explica que a gripe esteja associada a um elevado absentismo laboral e escolar. De um modo geral, a gripe é uma infecção benigna, que acontece numa época do ano em que abundam outras infecções respiratórias. Porém, quando ocorrem surtos epidémicos, é responsável por elevada mortalidade, dada a virulência do vírus.
Mas mesmo sem causar grandes prejuízos entre as populações, nos idosos e nas pessoas com doenças crónicas é frequente surgirem complicações como, por exemplo, pneumonia, ou um agravamento da doença crónica existente (ex.: asma, diabetes, doenças cardíacas), podendo levar ao internamento hospitalar.
[Continua na página seguinte]
Gripe sazonal: Mais vale vacinar
Qualquer pessoa pode ter gripe, mas os idosos são mais susceptíveis, sobretudo se já padecerem de outras doenças do sistema respiratório. Apresentam mesmo taxas de hospitalização e mortalidade superiores às da população em geral, estimando-se que 90% das mortes atribuíveis à gripe se verifiquem em indivíduos com mais de 65 anos.
Daí que seja a esta faixa etária que se dirige a maior das armas contra a doença: a vacinação. E é sobretudo recomendada se estiverem institucionalizados em lares ou outros espaços colectivos onde o risco de contágio é maior.
A Direcção-Geral de Saúde recomenda igualmente a vacinação às grávidas que, em Outubro, estejam no segundo ou terceiro trimestre de gestação e aos doentes, com idade superior a seis meses, que sofram de doenças crónicas cardiovasculares, pulmonares, renais, hepáticas, metabólicas, hematológicas, neuromusculares ou imunológicas. Em comum têm o elevado risco de desenvolverem complicações pós-gripais.
Pessoas com probabilidade acrescida de transmitirem o vírus aos grupos de risco também devem ser vacinadas, nomeadamente coabitantes e prestadores de cuidados a crianças com menos de seis meses e risco elevado de complicações.
E ainda pessoal dos serviços de saúde que estejam em contacto com estes grupos.
A vacina contra a gripe sazonal vai está disponível desde a 2.ª quinzena de Setembro. A vacina pode ser feita durante todo o Outono/ Inverno.
Actualizada anualmente devido às mutações do vírus, a vacina necessita de cerca de duas semanas para conferir imunidade, mantendo-se a imunização por nove a doze meses.
Sem efeitos secundários relevantes, apresenta uma eficácia elevada, ainda que não seja total. Até porque a vacina é feita a partir das estirpes identificadas pela Organização Mundial de Saúde, mas pode haver outras formas virais em circulação. Pelo facto de a vacina não conter o vírus vivo não pode provocar gripe, contudo há que ter em consideração o estado de saúde de cada indivíduo na altura da vacinação.
De qualquer forma, é seguro que a vacina permite reduzir significativamente os episódios de gripe sazonal, a taxa de infecções respiratórias a ela associadas, o número de hospitalizações e a mortalidade global, sobretudo entre os indivíduos mais vulneráveis. E mesmo que a gripe bata à porta ela será certamente mais inofensiva.
Delas só não pode beneficiar quem sofre de alergia às proteínas do ovo, a matéria-prima em que, por assim dizer, as vacinas são incubadas.
Para evitar transmitir a gripe é importante reduzir os contactos com as outras pessoas, proteger a boca e o nariz quando tossir ou espirrar, com um lenço de papel de utilização única ou com o antebraço, e lavar frequentemente as mãos com água e sabão.
A principal medida de prevenção da gripe é a vacinação anual. Assim, com a vacina disponível no mercado (em Portugal, existem diversas marcas), porquê facilitar?
[Continua na página seguinte]
Gripe sazonal Vacine-se na sua farmácia!
Este ano, e à semelhança do que aconteceu na época gripal passada, pode vacinar-se contra a gripe sazonal na sua farmácia. Esta possibilidade existe ao abrigo da legislação que veio permitir que as farmácias passassem a poder prestar um vasto conjunto de serviços farmacêuticos, de entre os quais se destaca o serviço de administração de vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação (PNV ).
Para o efeito, os farmacêuticos das farmácias que prestam o serviço de vacinação concluíram formação específica, que garante aos utentes toda a segurança e eficácia. No Outono passado este serviço esteve disponível pela primeira vez a nível nacional, com cerca de 160 mil utentes a serem vacinados nas farmácias no período compreendido entre Outubro de 2008 e Março de 2009.
Do total de vacinas contra a Gripe, dispensadas nas farmácias a nível nacional, estima-se que 22,4% tenham sido ministradas nas farmácias. Este número demonstra bem como os portugueses confiam no profissionalismo dos farmacêuticos. É ainda a prova da extrema acessibilidade das farmácias.
A vacina contra a gripe é de prescrição médica. Com a receita já é possível adquirir e receber a imunização no mesmo momento e no mesmo espaço, com toda a comodidade e segurança.
Gripe A (H1N1)
Nos últimos meses, a gripe tem sido a doença de que mais se fala. Não a comum gripe sazonal, mas a chamada gripe A. Oriunda do México, afecta países do mundo inteiro, incluindo Portugal.
É causada por um novo subtipo de vírus – o H1N1 – que afecta os seres humanos e contém genes das variantes humana, aviaria e suína do vírus da gripe, com uma combinação nunca antes observada.
Os sintomas são muito semelhantes aos da gripe sazonal: febre, tosse e nariz entupido, dor de garganta, dores corporais ou musculares, dor de cabeça, arrepios e fadiga.
Também tê sido verificados, em alguns casos, vómitos ou diarreia. Também se transmite como a gripe sazonal, espalhando-se de pessoa para pessoa através de partículas em suspensão no ar, libertadas com a fala, a tosse ou os espirros.
O contágio pode acontecer também em consequência do contacto com objectos onde tenham ficado depositadas gotículas ou secreções do nariz ou da garganta de uma pessoa infectada, como as maçanetas da porta, telefones ou superfícies de utilização pública.
Uma pessoa saudável pode contaminar as mãos e levá-las à boca, olhos ou nariz. Apesar de conter genes da variante suína do vírus, razão por que começou por ser apelidada de gripe suína, a infecção não pode ser contraída pela ingestão de carne de porco ou derivados devidamente confeccionados (cozinhados a mais de 70 graus). Esta estirpe não foi, aliás, detectada em animais.
Não existe para já uma vacina nem há provas de que a vacina anual seja eficaz contra esta estirpe do vírus. Perante sintomas suspeitos, a recomendação oficial é de que se contacte com a Linha Saúde 24 (808 24 24 24), não recorrendo a qualquer unidade de saúde sem orientações prévias.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
www.anf.pt