Obesidade: Um problema de peso
A obesidade é, sem dúvida, uma doença. Mas não é uma doença como as outras: é que abre caminho a um vasto conjunto de riscos para a saúde, potenciando o aparecimento, desenvolvimento e agravamento de outras doenças.
A lista de riscos é grande. Envolve o aparelho cardiovascular, com o acumular de gordura a contribuir para a hipertensão arterial, a arteriosclerose, a insuficiência cardíaca e a angina de peito. A nível metabólico as complicações possíveis são a diabetes tipo 2, alterações à tolerância à glicose, hiperlipidemia e gota.
O sistema pulmonar também pode ser afectado: dificuldade em respirar, síndrome da insuficiência respiratória do obeso, apneia do sono e embolismo pulmomar são algumas das consequências. No aparelho gastrointestinal aumenta a probabilidade de formação de cálculos na vesícula e cancro do cólon.
Os aparelhos reprodutor e urinário não estão a salvo: amenorreia (ausência anormal de menstruação) e infertilidade, incontinência urinária de esforço, carcinoma da próstata são apenas exemplos de entre várias complicações da obesidade.
À medida que aumenta o excesso de peso diminui a esperança de vida e cresce o risco de mortalidade. Perdemse anos de vida. Há estudos que o comprovam: uma mulher com 40 anos, não fumadora, perde 7,1 anos de for obesa e 3,5 se tiver peso a mais, enquanto um homem nas mesmas condições arrisca viver menos 5,8 anos e 3,1 anos, respectivamente.
Os estudos são igualmente conclusivos no que respeita aos ganhos em saúde decorrentes da perda de peso: bastam cinco a dez por cento para a qualidade de vida melhorar significativamente. Um exemplo: um quilo a menos equivale a um risco de diabetes diminuído em 16 por cento. Sem falar nos outros benefícios.
Nos psicológicos, nomeadamente. É que as consequências do excesso de peso e da obesidade vão muito para além da saúde do corpo, com repercussões (negativas) a nível dos relacionamentos sociais: a discriminação educativa, laboral e social é uma realidade a ter em conta e que pode conduzir ao isolamento, à perda de auto-estima e à depressão.
E quando se perde peso conquista-se ou recupera-se a sensação de bem-estar e de confiança, até de optimismo.
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Dieta e exercício: as armas contra os quilos
Os riscos são reais e potencialmente graves, mas é possível combater o excesso de peso e a obesidade. E nesse combate a arma principal é a modificação de comportamentos, a começar pelos factores de risco associados a uma dieta hipercalórica e ao sedentarismo.
Ou seja: há que comer melhor e fazer mais exercício físico. No que respeita à alimentação, há que cortar nas gorduras saturadas e hidrogenadas, no álcool, privilegiando as fibras, vitaminas e minerais. Açúcar e sal são igualmente para limitar.
Assim, no prato devem estar sobretudo carnes magras (de aves, por exemplo), peixe, vegetais e frutas.
Os cereais devem ser integrais, os lacticínios magros, os produtos de charcutaria e outros processados industrialmente devem ser evitados, o sal reduzido ao mínimo e substituído, sempre que possível, por ervas aromáticas. Açúcar só o indispensável.

