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O que fazer perante a gota úrica

20 Maio, 2009 0

Existem várias doenças, tratamentos e condições clínicas que se associam ao aumento do ácido úrico (AU) no sangue. A obesidade e o abuso de álcool são as situações clínicas que mais frequentemente encontramos associadas à hiperuricémia. Na mesma linha das perturbações do metabolismo, estes doentes apresentam muitas vezes diabetes, hipertensão arterial, hiperlipidémia e aterosclerose.

O aumento do AU também pode ser secundário a doenças dos rins (p.ex. insuficiência renal), das glândulas (p.ex. hipotiroidismo), da pele (p.ex. psoríase) e do sangue (p.ex. leucemias e linfomas) bem como ao uso de certos fármacos (p.ex. aspirina em doses baixas, diuréticos, tuberculostáticos) e ao consumo excessivo de álcool.

A avaliação de um doente gotoso deve basear-se não só nos sempre fundamentais, colheita de uma história clínica completa e realização de exame físico adequado, mas também num conjunto de análises laboratoriais, hematológicas e bioquímicas, e no estudo radiológico das articulações afectadas.

Como já foi dito, nas mulheres a gota úrica (GU) é mais rara e desenvolve-se mais tardiamente sobretudo nos casos em que já existe osteoartrose, hipertensão e insuficiência renal ligeira ou naqueles em que há utilização de diuréticos.

A hiperuricémia, além dos sintomas articulares, pode originar doença nos rins. Entre outras, a mais conhecida manifestação renal associada à hiperuricemia é a litíase (‘pedra’ no rim). O aparecimento de litíase renal relaciona-se com as concentrações de AU no sangue e na urina e com o grau de acidez da urina.

A hiperuricémia sem qualquer sintoma associado só deve ser tratada se houver risco de uma super-produção de AU (p.ex. quimioterapia de tumores) ou quando os níveis sanguíneos e/ou urinários de AU estão particularmente aumentados.

Nas crises agudas de gota, os anti-inflamatórios não esteróides (AINE) e a colchicina são fármacos eficazes. Em doentes que tenham contra-indicações ou efeitos acessórios importantes com estes fármacos podem usar-se corticóides (i.e. derivados da ‘cortisona’). Estes também podem ser usados quando os AINE e a colchicina não forem eficazes. Contudo, este tratamento é apenas sintomático e se queremos que o doente permaneça sem crises agudas devemos administrar-lhe alopurinol.

Este medicamento não deve ser iniciado enquanto o doente tiver sinais da crise aguda. Isto é, só deve ser iniciado quando o doente estiver assintomático mas também não deve ser parado se o doente tiver um ataque agudo e estiver com esta medicação. O alopurinol evita a formação de ácido úrico em demasia. Existem também fármacos capazes de estimular o rim a excretar mais ácido úrico na urina, mas não estão disponíveis no nosso país.

 

Dieta aconselhada

Uma palavra final sobre a dieta aconselhada para a GU. Esta doença associa-se classicamente com a ‘abundância’. De facto, boa parte dos doentes gotosos são ‘bons garfos’ e a maioria das crises agudas começa de noite após um dia de exageros alimentares. Estão identificados alguns alimentos que, pela sua riqueza em purinas, são responsáveis pelo aumento da uricémia.

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As carnes jovens, as vísceras dos animais, a caça, o marisco, os peixes sem escama e o chocolate são alguns dos exemplos. No que se refere às bebidas alcoólicas, as mais nocivas nesta situação são o vinho verde, a cerveja, os vinhos generosos, o vinho branco e os destilados. Deve referir-se que raramente se conseguem normalizar os valores sanguíneos do ácido úrico apenas com a dieta adequada, mas esta deve fazer parte do tratamento correcto da gota úrica.

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