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O Pé Diabético: cuidados permanentes

24 Setembro, 2008 0

Todos sabemos o que acontece quando usamos um sapato que nos provoca uma bolha ou um calo ou quando nos aproximamos duma fonte de calor. O diabético, perdendo estas sensibilidades, continua a caminhar com uma lesão num pé como nada se passasse ou a aproximar-se dum aquecedor ou a manter o contacto com uma botija de água quente, colocada na cama, sem se aperceber da temperatura elevada.

Por isso surgem com frequência diabéticos com queimaduras ou outras lesões graves, quase sempre com infecção associada, detectadas por acaso por ele ou por alguém que lhe inspeccionou os pés, infelizmente muitas vezes passados vários dias.

A isquemia, originando deficiente irrigação sanguínea, faz com que a pele se torne mais vulnerável a qualquer traumatismo e que a cicatrização duma lesão seja muito mais lenta e muitas vezes dependente duma intervenção cirúrgica que resolva o obstáculo que impede a adequada circulação do sangue arterial no membro inferior. Infelizmente muitas vezes a amputação é o destino final do membro ou de parte dele.

Cerca de 50% das amputações não relacionadas com traumatismos dos membros inferiores são efectuadas em doentes diabéticos e quase sempre precedidas duma lesão, na maioria dos casos provocada pelo sapato. O calçado foi criado para proteger os pés dos traumatismos e das agressões provocadas pelo calor mas, no diabético, quando inadequado pode comportar-se como um verdadeiro “inimigo”.

A grande maioria destas amputações poderia ter sido evitada se fossem respeitadas algumas regras fundamentais. A principal arma contra as complicações dos pés dos doentes diabéticos é, por isso, a prevenção que deverá ser usada por todos, pelos profissionais de saúde que lidam com estes doentes, pelos diabéticos e seus familiares ou pelas pessoas que com eles convivem.

Esta prevenção deve ter em consideração importantes pontos: identificação dos pés em risco de lesão, isto é dos que apresentam neuropatia e/ou isquemia; inspecção e exame periódico dos pés, dos sapatos e das meias, em função desse risco; educação e ensino ao doente, aos familiares e aos profissionais de saúde que lidam com diabéticos das normas consideradas essenciais; uso de calçado apropriado; tratamento da patologia não ulcerosa (calos, unhas e deformações).

No diabético em risco é fundamental o seguimento destas recomendações: a lavagem diária dos pés (cuidado com a água muito quente que pode provocar queimaduras) e a secagem cuidadosa, sobretudo entre os dedos e a sua inspecção feita pelo doente ou por alguém que o ajude, em caso de impossibilidade; a inspecção do interior dos sapatos que permite eliminar objectos estranhos que poderão lesar o pé; a não utilização de produtos químicos ou adesivos corrosivos (calicidas) para retirar calosidades que deverão antes ser aparadas por um especialista com formação em cuidados do pé; o corte das unhas a direito e não rentes; a utilização de óleos ou cremes hidratantes para a pele seca, evitando a sua aplicação entre os dedos; a mudança diária das meias, sem costuras ou com elas viradas para fora, grossas e pre-ferencialmente de algodão para aquecer os pés se necessário, evitando as habituais fontes de calor (aquecedores ou botijas de água quente); a informação imediata do médico no caso de surgir uma bolha, fissura ou vermelhão.

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