O Pé Diabético: cuidados permanentes
No diabético em risco é fundamental o seguimento destas recomendações: a lavagem diária dos pés (cuidado com a água muito quente que pode provocar queimaduras) e a secagem cuidadosa, sobretudo entre os dedos e a sua inspecção feita pelo doente ou por alguém que o ajude, em caso de impossibilidade; a inspecção do interior dos sapatos que permite eliminar objectos estranhos que poderão lesar o pé; a não utilização de produtos químicos ou adesivos corrosivos (calicidas) para retirar calosidades que deverão antes ser aparadas por um especialista com formação em cuidados do pé; o corte das unhas a direito e não rentes; a utilização de óleos ou cremes hidratantes para a pele seca, evitando a sua aplicação entre os dedos; a mudança diária das meias, sem costuras ou com elas viradas para fora, grossas e pre-ferencialmente de algodão para aquecer os pés se necessário, evitando as habituais fontes de calor (aquecedores ou botijas de água quente); a informação imediata do médico no caso de surgir uma bolha, fissura ou vermelhão.
O doente diabético deve evitar andar descalço e o calçado, se não houver risco, pode ser escolhido a seu gosto nas lojas habituais, procurando sempre um sapato cómodo no qual o pé se sinta bem. Se, pelo contrário, existir neuropatia e/ou isquemia devem ser respeitadas medidas de precaução extra, em particular se existirem deformações nos pés.
O sapato não deve ser demasiado apertado ou largo, o seu interior deve ser 1 a 2 cm mais comprido do que o pé e a largura igual à largura do pé na sua zona mais larga e, em altura, a biqueira deve ter espaço suficiente para os dedos.
Deve ser de pele macia e, quando novo, comprado no final do dia (quando o pé está mais inchado do que quando nos levantamos da cama) e usado por períodos diários curtos e progressivos até se adaptar de forma adequada ao pé. Por vezes pode estar indicado a utilização de palmilhas adequadas ou mesmo de calçado especial feito por encomenda.
Em conclusão, o doente diabético deve cuidar dos seus pés como a maior parte das senhoras cuidam da cara.
Dr. Eduardo Vinha,
Assistente Graduado de Endocrinologia do Serviço de Endocrinologia,
responsável pela Consulta do Pé Diabético do
Hospital de S. João, Porto (Director: Prof. José Luís Medina)
Para esta complicação contribuem duas situações essenciais: a neuropatia ou doença dos nervos periféricos e a isquemia ou doença das artérias que quando se associam a uma infecção o prognóstico de qualquer lesão nos pés é significativamente agravado.
O aparecimento destas situações está dependente da compensação da diabetes e da presença de outros factores de risco, frequentes na população em geral e em número elevado de doentes diabéticos, como a hipertensão arterial, o aumento das gorduras do sangue e o tabaco.
A neuropatia faz com que o diabético perca a sensibilidade para estímulos comuns, como a sensibilidade dolorosa (deixa de sentir dores) e a sensibilidade térmica (deixa de sentir o calor), entre outras.

