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O Homem, a Cultura e as Drogas

24 Setembro, 2007 0

O uso de drogas parece ser tão antigo quanto a humanidade. As primeiras referências sobre a papoila, de onde é extraído o ópio, encontram-se em tábuas sumerianas, na Mesopotâmia, datando de três a quatro mil anos antes de Cristo (Werebe, 1982).

Presume-se que foi a partir do território onde se situa actualmente a Turquia, a Síria, o Iraque e o Irão, que se difundiu o cultivo da papoila para o Ocidente, atingindo o Egipto, onde foram descobertos papiros que relatam a larga utilização do ópio, já em mil e quinhentos anos antes de Cristo.

Na China, a papoila já era conhecida e empregada para fins medicinais desde o século XIII. A reintroduzição do ópio no país, através de Formosa, aconteceu no século XVIII.

Na América do Sul, desde tempos imemoriais, o homem tem usado a coca. Mascando as suas folhas, os índios adquiriam vigor e energia. O conquistador espanhol reconheceu rapidamente o perigo de tal hábito para os seus soldados. Por esse motivo, houve, em 1569, a proibição da mastigação das folhas de coca pelos colonizadores.

Desde o norte da Sibéria, passando pelas bacias de Ob, Ienissei e Lena, chegando ao Tibete, Turquestão e Usbequistão, o uso do cogumelo alucinogéneo Amanita Muscaria traz uma história antiga. Esse uso está intimamente ligado ao xamanismo, descrito pelos viajantes e antropólogos dos séculos XVIII e XIX.

Na América Central, o peyotl é largamente usado em cerimónias religiosas.

A maconha, a mais utilizada das drogas, cresce por muitos lugares e climas. Marco Polo observou o seu uso nas cortes orientais entre os emires e os sultões. É muito usada no vale do Tigre e Eufrates, nas Indias, na Pérsia, no Turquestão, na Ásia Menor, no Egipto e em todo o litoral africano.

A partir dessa “pincelada” histórico-geográfica, fica demonstrada a intimidade dos homens, de todas as partes do mundo, desde os tempos mais longínquos, com os mais variados tipos de drogas.

De todas essas curiosidades, o que nos pode interessar nesse momento é reflectir sobre o consumo de substâncias químicas que produzem alterações de consciência é sua relação com as necessidades e anseios do homem.

Na discussão sobre a história do homem com as drogas é de lembrar: “a necessidade é a mãe da invenção”. Sendo assim, o homem primitivo explorou o universo farmacológico com uma espantosa perfeição. Nossos ancestrais não deixaram por descobrir quase nenhum estimulante, alucinogénio ou estupefaciente naturais.

Não nos podemos esquecer de que, se a farmacologia moderna deu uma série de novos produtos sintéticos,não fez grandes descobertas básicas no campo das drogas naturais, ela simplesmente aperfeiçoou os métodos de extração, purificação e combinação.

Pelas evidências de que dispomos, podemos supor que o homem primitivo experimentou todas as raízes, galhos, folhas e flores, todas as sementes, frutos e fungos do seu ambiente.

Existem razões para acreditarmos que, até mesmo na época paleolítica, quando o homem ainda era caçador e “colhedor” de comida, matava os seus inimigos animais e humanos com flechas envenenadas. No final da Idade da Pedra, parece que o homem se envenenava sistematicamente.

A presença de cabeças de papoilas no lixo das cozinhas dos habitantes dum Lago Suíço, demonstra que, desde muito cedo, o homem descobriu as técnicas de alteração da consciência através das drogas.

Com relação aos factos apresentados, poderíamos considerar a necessidade humana de “tirar férias” da realidade de vez em quando, através do uso de substâncias psicotrópicas, como um fenómeno praticamente universal.

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