O “cérebro” que comanda as acções humanas
A lesão do lobo pré-frontal terá efeitos diferentes consoante a sua localização. Se for atingida a porção dorso-lateral, por exemplo, o doente apresentará um quadro clínico de depressão. Mas, ao contrário do verdadeiro depressivo, mostra-se indiferente ao seu estado de não comer, não beber, não sair da cama e não ligar ao que outras pessoas lhe dizem.
Portanto a síndrome das lesões do lobo frontal explica a principal função do córtex pré-frontal que é a função coordenadora de todas as capacidades cerebrais.
A metáfora mais apropriada é a do chefe de orquestra: todos os instrumentistas estão já na sala e cada um repassa, uma última vez, as partes mais difíceis. O espectador ouve os sons confusos, produzidos por todos os instrumentos, mas, por conseguinte, não ouve a sinfonia anunciada no programa. A entrada do maestro, que não toca nenhum instrumento, impõe a ordem e cada instrumento faz o seu trabalho e a sinfonia surge em toda a sua beleza.
Cada parte do nosso cérebro executa bem uma tarefa singular. Mas é o lobo pré-frontal que, articulando e coordenando, no tempo, cada uma destas tarefas singulares faz com que a pessoa apresente um comportamento humano. Só o Homem dispõe desta parte do cérebro com esta função de gerir o que é novo e de orientar os comportamentos para objectivos presentes e futuros. E só o Homem tem esta parte do lobo frontal desenvolvida.
A metáfora do CEO
Imagine-se o Chief Executive Officer (CEO) de uma empresa. Este é, de certa forma, um cérebro executivo.
Não realiza nenhuma tarefa ele próprio, mas conhece a fundo as capacidades específicas de todos os centros activos da empresa. A sua principal função é conseguir articular e coordenar todas as capacidades que estão à sua disposição para obter um resultado desejado no presente e consolidado no futuro. Usando a metáfora do maestro de uma orquestra, o CEO tem de saber, ainda, ensaiar bem os naipes, puxando mais por uns e elogiando outros, para que no dia do concerto tudo saia perfeito.
Há estudos que demonstram que o exercício das capacidades perceptivas faz aumentar as zonas cerebrais relacionadas com esta actividade perceptiva, como é o caso dos bilingues e dos instrumentistas.
Mas não há nenhum estudo que relacione o exercício das decisões humanas com melhoria numérica das células do cérebro executivo.
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O uso precoce e sustentado da actividade perceptiva melhora as áreas cerebrais correspondentes às percepções e coloca à disposição do córtex pré-frontal um cérebro com maior capacidade de resposta, em tempo e em qualidade. As ligações das células deste córtex a todos os restantes centros executantes, nos dois sentidos, dão ao cérebro executivo um “conhecimento” das capacidades que o restante cérebro tem à sua disposição para comandar. O CEO de uma empresa tem de ter este tipo de ligações com os diferentes sectores da sua empresa para saber o que pode exigir, em cada momento, de cada um deles.
O cérebro executivo envelhece mais lentamente, razão pela qual assiste ao envelhecimento do restante tecido cerebral. O cérebro executivo apercebe-se de que a percepção auditiva e/ou visual está a piorar pela perda de células nervosas na retina ou no órgão de Corti. Deste modo, não vai dar ordem de uma tarefa que, obviamente, ele sabe que o cérebro específico para a função visual e auditiva não vai poder executar. Também reconhece que a capacidade de executar um complexo raciocínio lógico e quantificado para tomar uma decisão vai diminuindo em consequência da perda de células sub-corticais.

