Nova terapêutica pode revolucionar controlo da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica - Médicos de Portugal

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Nova terapêutica pode revolucionar controlo da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

10 Novembro, 2008 0

A Nycomed anuncia que o medicamento roflumilast apresentou resultados muito encorajadores na análise preliminar dos ensaios de fase III. Os resultados preliminares de quatro estudos revelam que um novo anti-inflamatório oral melhora significativamente os sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

De acordo com os dois primeiros ensaios clínicos piloto, de 12 meses, que envolveram mais de 3000 doentes, os dois objectivos primários foram atingidos. A toma diária do roflumilast reduziu a frequência de exacerbações e melhorou a função pulmonar (FEV1) em doentes com DPOC grave ou muito grave.

Nos restantes dois estudos, de 6 meses, nos quais participaram mais de 1500 doentes, os resultados revelaram que o roflumilast é bastante eficaz em associação com os broncodilatadores tradicionais, uma vez que aumenta a capacidade de volume de ar expirado.

O roflumilast é um anti-inflamatório selectivo, que inibe a enzima fosfodiesterase 4, considerada importante no processo inflamatório que acompanha o desenvolvimento da DPOC.
A toma diária deste medicamento, que se encontra na fase III de desenvolvimento, pode revolucionar a forma como esta doença é controlada, reduzindo as crises (exacerbações) que necessitam de hospitalizações e intervenção médica, com importância decisiva no prognóstico. Depois da aprovação, que se calcula ser uma realidade no próximo ano, este será o primeiro medicamento da sua classe e o primeiro anti-inflamatório oral para o tratamento da DPOC.

A DPOC uma doença respiratória crónica, caracterizada por uma obstrução ao fluxo de ar, que se manifesta por tosse, pieira e aumento da produção de expectoração, que limitam a capacidade do doente realizar as actividades quotidianas normais. Se não for tratada adequadamente, progride para uma fase de grande incapacidade, com insuficiência respiratória.

Em Portugal atinge cerca de 6 por cento do total da população e é actualmente a quarta principal causa de morte nos países desenvolvidos. A doença é desconhecida da maior parte da população e engloba várias formas de manifestações respiratórias. O processo inflamatório crónico pode produzir alterações dos brônquios (bronquite crónica), bronquíolos (bronquiolite obstrutiva) e da estrutura pulmonar – parenquima (enfisema pulmonar).

A obstrução ao fluxo aéreo é geralmente progressiva e está associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de partículas ou gases tóxicos, causada principalmente pelo cigarro. A bronquite crónica é a mais prevalente, uma vez que em mais de 90 por cento dos casos resulta do consumo do tabaco. Na bronquite crónica, a passagem do ar (brônquios) está inflamada, com aumento da produção de muco pelas glândulas, causando tosse, catarro e mal-estar ao longo de anos.

No enfisema pulmonar, os alvéolos pulmonares são lentamente destruídos pelo cigarro e sua cicatriz leva a uma perda da elasticidade pulmonar dificultando a respiração. Pouco a pouco, vão-se formando grandes espaços aéreos decorrentes da destruição da árvore brônquica e alvéolos, reduzindo a capacidade de troca de ar normal (a troca de oxigênio por dióxido de carbono). Como resultado, a respiração torna-se cansada e ineficiente, levando a uma de falta de ar persistente (dispneia).

A DPOC afecta 10 por cento das pessoas depois dos 40 anos e calcula-se que cerca de 20 por cento dos fumadores vão desenvolver a doença. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de mortes relacionada com a DPOC pode aumentar 30 por cento nos próximos dez anos se nada for feito para reduzir os factores de risco. Em 2005, a doença causou a morte a mais de três milhões de pessoas em todo o mundo.

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