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No medir é que está o ganho

1 Maio, 2008 0

A solução? Passa por medir, medir e medir. Porque é que nos estamos a repetir? Porque nunca é demais passar a mensagem e convencê-lo, a si, caro leitor, que é essencial medir a sua pressão arterial. A sua saúde agradece! O Jornal do Centro de Saúde antecipa as comemorações do mês do coração, da responsabilidade da Fundação Portuguesa de Cardiologia e da SPH, este ano dedicado à hipertensão arterial.

Um estudo epidemiológico da autoria do Prof. Espiga Macedo indica que, cerca de 40 a 46% da população portuguesa, é hipertensa. “Nem todos as pessoas que são hipertensas sabem que o são. Por outro lado, nem todos estão bem tratadas, ou seja, não estão devidamente controladas”, explica o Dr. Pedro Marques da Silva, especialista em hipertensão e em Medicina Interna, do Hospital de Santa Marta.

O problema não é exclusivo de Portugal. “A taxa de doentes hipertensos não controlados é muito semelhante em todos os países da Europa”, diz-nos. Pedro Marques da Silva defende que “os sistemas de saúde europeus derivam de uma estrutura eminentemente curativa e não preventiva”. A aposta deverá, pois, passar pela prevenção desde tenra idade.

É um facto que “as pessoas não medem a sua tensão arterial”, indica o Prof. Luís Martins, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH). Na sua opinião, “o que temos assistido fundamentalmente é a discussão da doença em Portugal. Aquilo que quero que os leitores entendam é que é preciso intervir muito antes de serem necessários cuidados de saúde”.

A doença que não dói

Normalmente, os sintomas já surgem numa fase muito avançada, ou seja, quando já existem complicações decorrentes da hipertensão arterial. “Quando a doença dá sinais, normalmente já é tarde”, alerta Luís Martins. Como não dói, é fácil “passar despercebida”.

Existem vários factores de risco que contribuem para o aparecimento da hipertensão. Pedro Marques da Silva comenta, em tom de brincadeira, que “a primeira coisa seria escolher bem os pais, mas todos sabemos que isso não é possível”. Na verdade, a hipertensão possui alguma “carga genética”. Todos os aspectos da doença hipertensiva “são modelados por determinados genes. Nós sabemos que ter uma mãe com hipertensão arterial é um factor de risco para vir a ter a doença no futuro. O risco é ainda maior quando também o pai é hipertenso”, fundamenta.

Novamente em tom de brincadeira, Pedro Marques da Silva comenta que “já que não se pode escolher os pais, podemos optar por estilos de vida saudáveis”.

A primeira regra passa pela redução do consumo de sal. “Os portugueses continuam a ter consumos que ultrapassam as doze gramas diárias quando a Organização Mundial de Saúde aponta para valores inferiores a cinco, seis.” A redução significativa da ingestão de sal “teria implicações de saúde pública muito importantes”.

Além desta regra de ouro, “seria necessário compensar o sedentarismo, a dieta equilibrada e a obesidade”. O tabaco, só por si, “não provoca hipertensão arterial mas contribui para o risco trombótico”.

O presidente da SPH partilha desta opinião e aconselha: “é importante que não se deixem engordar e é fundamental praticarem algum exercício físico”. Desengane-se se pensa que tem forçosamente de ir para um ginásio. “A caminhada deveria ser enraizada nos hábitos dos portugueses.

Andar meia hora, quatro a cinco vezes por semana, ajuda a perder peso e mantém o sistema cardiovascular saudável”. Esta é uma das medidas principais. “Deve tentar-se contrariar os hábitos da urbanização da sociedade”, afirma Luís Martins.

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