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Quando a atenção é um obstáculo

30 Abril, 2008 0

Será hiperactividade ou falta de atenção? Já pensou que a criança que convive consigo e está permanentemente agitada e desatenta, pode sofrer de uma perturbação que reúne, em simultâneo, a hiperactividade e a falta de atenção? O Jornal do Centro de Saúde dá-lhe a conhecer a perturbação de hiperactividade com défice de atenção (PHDA), a mais comum e frequente em idade pediátrica.

A PHDA é a perturbação do desenvolvimento e comportamento mais frequente em idade pediátrica. Estima-se que a sua prevalência ronde os 3-5%. É uma doença genética, que tem na sua base, alterações do funcionamento cerebral relacionadas com os neurotransmissores, que são as substâncias químicas que transmitem a informação entre os neurónios. “As mensagens que os neurotransmissores emitem influenciam as emoções, o comportamento, o pensamento e a capacidade de atenção”. É comum ouvirmos falar de hiperactividade mas, segundo a Dra. Luísa Teles, pediatra do desenvolvimento do Hospital da Luz, “é mais correcto falar-se em PHDA”. Dentro desta, podemos referir comportamentos distintos, identificados frequentemente. A desatenção é um deles. “Envolve a dificuldade em manter a atenção ou a resposta a tarefas / actividades, em lembrar e seguir as instruções ou resistir à distracção enquanto a criança as realiza”, explica-nos Luísa Teles. Assim, é fácil notar que a criança sente enorme dificuldade em manter a atenção num estímulo seleccionado, de modo a executar uma determinada tarefa com um objectivo definido e um tempo pré-determinado. Podemos ainda referir a hiperactividade e a impulsividade. “Os problemas com o controlo inibitório motor observado em crianças com PHDA envolvem a inibição voluntária ou executiva de respostas irrelevantes. A impulsividade pode estar relacionada com a motivação”, fundamenta a pediatra entrevistada pelo Jornal do Centro de Saúde. Principais sintomas Os sintomas iniciam-se geralmente em idade pré-escolar, em particular, a hiperactividade e a impulsividade. “A desatenção pode ser detectada só após o início da escolarização e pode persistir até à idade adulta”. Os sintomas mais frequentes costumam interferir com o funcionamento da criança no seu desempenho académico e nas relações sociais com a família e amigos. “A performance da criança com PHDA é pior ao final do dia, em tarefas mais complexas que requerem maiores competências de organização, quando existe pouca estimulação, quando é necessária maior contenção do comportamento, quando as recompensas não são rapidamente acessíveis e na ausência de supervisão de um adulto”, fundamenta Luísa Teles. O problema surge constantemente pois as crianças com esta perturbação “não aceitam limites bem definidos e nem sempre se revêem nos sintomas reportados pelos pais e professores, principais testemunhas dos seus comportamentos”. Principais obstáculos para estas crianças O dia-a-dia destas crianças é repleto de problemas e obstáculos. Dificilmente adequam a sua actividade motora à tarefa e ao contexto em que se encontram. São crianças que não conseguem adequar a sua actividade motora à tarefa e contexto em que se encontram e não mantêm a atenção em tarefas que requerem esforço mental. “Normalmente, apresentam inconsistência no desempenho escolar, têm dificuldade em desempenhar adequadamente as tarefas académicas, não conseguem organizar muito bem as respostas verbais, orais e escritas, não conseguem resolver os problemas com facilidade; são mais desorganizados no que respeita aos métodos de estudo e não fazem adequadas estimativas do seu tempo”, explica Luísa Teles. Estas características traduzem-se em dificuldades reais na aquisição de competências no “seu curriculum académico” e nem sempre acompanham os colegas da turma, à velocidade esperada. “Denotam-se ainda contrariedades nas relações com os pares porque apresentam frequentemente problemas pragmáticos de linguagem (dificuldade em organizar as ideias enquanto conversam, respeito pelos tempos de conversação, manutenção do tema durante a conversa de acordo com o interesse do outro interlocutor e dificuldades na compreensão da informação oral)”. Estas crianças tornam-se assim um verdadeiro desafio para os professores, para os pais, para os amigos e para eles próprios.

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