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Nanomedicina: investigadores do IMM publicam estudo sobre agregação de glóbulos vermelhos

4 Abril, 2011 0

Investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, publicam esta semana na prestigiada revista PLoS ONE (www.plosone.org) um estudo* que recorre às nanotecnologias para perceber a relação entre a idade dos glóbulos vermelhos (eritrócitos) e a tendência para a sua excessiva agregação, um factor de risco cardiovascular.

Trata-se de um estudo de investigação básica, realizada em laboratório com células de sangue de dadores saudáveis, que sugere que serão os glóbulos vermelhos jovens que mais contribuem para as doenças cardiovasculares associadas à excessiva agregação destas células do sangue.

Imagem:
Glóbulos vermelhos humanos observados através de microscopia de força atómica.
Autores: F. A. Carvalho, S.Oliveira, T. Freitas, S. Gonçalves e N. Santos. Fonte: PloSONE.

O estudo descreve especificamente a interacção entre o fibrinogénio, uma proteína do plasma sanguíneo, e os glóbulos vermelhos. O fibrinogénio é uma proteína de agregação que se pensa ser o principal responsável pela agregação de glóbulos vermelhos, e que pode desta forma dificultar a circulação sanguínea (caso exista em níveis elevados). No estudo agora publicado, os investigadores do IMM descrevem detalhes moleculares desta ligação (fibrinogénio-erotrócitos) que mostram que o fibrinogénio se liga melhor a glóbulos vermelhos jovens, quando comparados com glóbulos menos jovens (o tempo de vida médio de um eritrócito é de 120 dias). Os resultados são relevantes pois um conhecimento aprofundado sobre estes mecanismos moleculares poderá contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos que actuem na prevenção de patologias vasculares, tais como na hipertensão arterial ou enfarte agudo do miocárdio. As doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 35-40% dos óbitos em Portugal; atingem meio milhão de portugueses e ainda são a primeira causa de morte, doença, incapacidade e custos em saúde em Portugal.

Filomena Carvalho, Nuno Santos e colegas recorreram a metodologias do âmbito da Nanomedicina, em particular à espectroscopia de força utilizando um microscópio de força atómica (AFM), para medir as forças de ligação entre o fibrinogénio e os glóbulos vermelhos. Esta tecnologia permite estudar as forças que se estabelecem entre duas moléculas, neste caso entre o fibrinogénio e a molécula receptora situada na membrana dos glóbulos vermelhos. Os resultados mostraram que, embora a força de ligação seja idêntica em todos os glóbulos vermelhos, a frequência de ligação do fibrinogénio aos glóbulos vermelhos jovens é maior, sugerindo que esta população de glóbulos tenha uma maior influência em potenciais problemas cardiovasculares resultante da agregação destas células sanguíneas.

“O estudo mostra especificamente que a ligação entre o fibrinogénio e o seu receptor nos glóbulos vermelhos poderá ser perdida, mascarada ou progressivamente tornada não funcional com o processo de envelhecimento destas células no sangue”, afirma Filomena Carvalho, primeira autora do estudo.

“Este trabalho é um exemplo de como a investigação fundamental, baseada em métodos nanotecnológicos, pode trazer dados importantes para a compreensão dos factores de risco associados a doenças, neste caso específico das doenças cardiovasculares”, afirma Nuno Santos, líder da equipa de investigação.

Esta investigação aparece na sequência de outras descobertas já publicadas nesta área pela equipa liderada por Nuno C. Santos, que, em 2010, descobriu o receptor molecular específico para o fibrinogénio nos glóbulos vermelhos.

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