Hospital Pulido Valente distingue trabalhos sobre Tuberculose Multirresistente e Pneumonia Nosocomial
Os vencedores do Prémio Melhor Publicação Científica 2007, organizado pelo Hospital Pulido Valente, de Lisboa, são, em ex aequo, uma equipa liderada por Filipe Froes, com “Documento de Consenso sobre Pneumonia Nosocominal”; e João Costeira e Jaime Pina, com “A Tuberculose Multirresistente e a Rainha Vermelha”.
O Júri atribuiu uma menção honrosa ao trabalho de uma equipa liderada por Ana Cristina Oliveira e Celestina Ventura, intitulado “Papel da oximetria nocturna no rastreio da Síndroma de apneia-hipopneia obstrutiva do sono”.
Este prémio organizado pelo Departamento de Pneumologia do Hospital Pulido Valente e patrocinado pelo Bial, atribui cinco mil euros ao melhor artigo de autoria de membros do Departamento de Pneumologia do Hospital Pulido Valente e publicado em revista científica durante o ano de 2007.
O Júri, composto por Maria João Gomes, Directora Clínica do Hospital Pulido Valente, Ramalho de Almeida, médico especialista em doenças respiratórias do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, e Manuel Fontes Baganha, Director do Departamento de Ciências Pneumológicas e Imunológicas do Hospital da Universidade de Coimbra, faz um balanço muito positivo da edição 2007 do Prémio Pulido Valente: “Tivemos 17 trabalhos a concurso, com um total de 61 autores intervenientes, não só médicos como também enfermeiros, técnicos de cardiopneumologia e fisioterapeutas”, afirma Maria João Gomes.
O objectivo deste prémio, cuja segunda edição decorrerá durante o ano de 2008, é incentivar e premiar a investigação científica na área médica e a consequente publicação de artigos num dos mais conceituados e representativos serviços de Pneumologia do país.
O apoio de Bial a este prémio insere-se na aposta em investigação, que se traduz não só na investigação e desenvolvimento de novos fármacos que o grupo, mas também no apoio à actividade científica, através de bolsas de investigação e do Prémio Bial.
Sobre os trabalhos vencedores:
“Documento de consenso sobre Pneumonia Nosocomial”
Autores: Filipe Froes, José Artur Paiva, Piedade Amaro, João Pedro Batista, Gabriela Brum, Henrique Bento, Paula Duarte, Conceição Sousa Dias, Carlos Glória, Helena Estrada, Luís Telo, Eduarda Silva, José Gonçalves Pereira, Germano Carmo.
Publicação: Revista Portuguesa de Medicina Intensiva e Revista Portuguesa de Pneumologia, 2007, Vol. XIII, nº 3.
Este documento traduz os resultados de um grupo de trabalho criado entre a Sociedade Portuguesa de Pneumologia e a Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, para reflectir sobre a Pneumonia Nosocomial e “fundamentar um conjunto de recomendações adaptadas à realidade e especificidade do nosso país”. Em Portugal há escassez de dados epidemiológicos, clínicos e microbiológicos sobre esta patologia, que é, após a infecção urinária, a infecção nosocomial que apresenta maior mortalidade.
“A Tuberculose Multirresistente e a Rainha Vermelha”
Autores: João Costeira e Jaime Pina
Publicação: Revista Portuguesa de Pneumologia, 2007, Vol. XIII, nº 6.
“A tuberculose multirresistente é uma ameaça importante ao controlo da tuberculose. Neste sentido, é fundamental o diagnóstico precoce da TBMR para adoptar as medidas mais adequadas. Os métodos de detecção da resistência aos antibacilares baseados na avaliação das determinantes genéticas (métodos genotípicos) têm a vantagem, em relação aos métodos clássicos (fenotípicos), de serem mais céleres, poderem ser aplicados directamente na amostra clínica e de identificarem simultaneamente o Mycobacterium tuberculosis complex.
A análise dos dados dos doentes internados no Serviço de Pneumologia 2 do Hospital Pulido Valente mostrou uma significativa prevalência de TBMR (10,3%). Revelou, também, que em 34,1% dos doentes com TBMR a multirresistência não foi identificada, tendo sido a mortalidade nesses doentes de 31% versus 18,4% nos doentes com o perfil de resistências previamente conhecido. Estes valores são piores nos doentes com TBMR+SIDA, que têm uma mortalidade de 50% versus 15%, respectivamente. Para uma rápida identificação das resistências nos doentes internados no Serviço de Pneumologia 2 do HPV, foi avaliado o teste INNO-LIPA Rif.TB para detecção da resistência à RMP como marcador de multirresistência.
Os resultados do teste, efectuado em 113 amostras, mostraram elevadas taxas de sensibilidade (91,6%), especificidade (98%), valor preditivo positivo (84,6%) e valor preditivo negativo (99%).
A demora média para obter os resultados foi de 7,6 dias para o teste genotípico versus 23,4 dias para o teste fenotípico (BACTEC MGIT 960).
Actualmente, o teste INNO-LIPA Rif.TB é aplicado em todos os doentes internados com tuberculose bacilífera sem perfil de resistências previamente conhecido, com bons resultados”.
Sobre a Menção Honrosa
“Papel da oximetria nocturna no rastreio da síndroma de apneia-hipopneia obstrutiva do sono”
Autores: Celestina Ventura, Ana Sofia Oliveira, Rita Dias, Joana Teixeira, Cristina Canhão, Odete Santos, Paula Pinto, Cristina Bárbara.
Publicação: Revista Portuguesa de Pneumologia, 2007, Vol. XIII, nº 4
“Foi objectivo deste estudo determinar a sensibilidade e a especificidade da oximetria nocturna (ON) como método de screening diagnóstico para a síndroma de apneia-hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS), utilizando como método de referência a polissonografia (PSG). Foram incluídos 63 doentes com suspeita clínica de SAHOS e exclusão de doença respiratória, sendo submetidos a uma PSG completa, incluindo ON. Posteriormente, foram determinados: a sensibilidade, a especificidade e os valores preditivos positivo (VPP) e negativo (VPN) da ON.
(…) A ON é um bom teste de screening diagnóstico da SAHOS, desde que seja excluída patologia respiratória”.
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