Hepatite: Fígado sofre!
Esta é uma doença da sociedade, mais comum no sexo masculino, e quem esteve na Guerra do Ultramar, quem foi operado ou fez transfusões de sangue (dado ou recebido), as mulheres que foram mães ou fizeram abortos antes de 1992 devem solicitar o rastreio junto do seu médico de família. É principalmente por via sanguínea que se transmite o vírus da hepatite C – um corte ou uma pequena ferida é quanto basta, sendo frequente o contágio através da partilha de seringas. A transmissão por via sexual é rara, havendo também um risco mínimo de uma mãe infectar o filho, durante a gravidez podendo, no entanto, infectá-lo durante o parto. Não está ainda disponível uma vacina.
O álcool está proibido aos portadores de hepatite porque estimula a multiplicação do vírus e diminui as defesas imunitárias.
D – À boleia da hepatite B
A inflamação do fígado causada pelo vírus VHD ocorre apenas em simultâneo com a acção de um outro vírus, o causador da hepatite B.
Transmite-se sobretudo a partir do sangue e seus derivados, bem como pelo contacto com seringas infectadas, o que explica a prevalência entre toxicodependentes.
No caso de uma co-infecção (infecção simultânea pelos vírus B e D), a hepatite B pode ser severa ou mesmo fulminante, mas raramente evolui para uma forma crónica; a situação oposta ocorre com a superinfecção, que provoca hepatites crónicas em 80% dos casos, dos quais 40% acabam em cirrose.
E – Endémica em regiões tropicais
Em Portugal, como noutros países ditos industrializados, a infecção do fígado causada pelo vírus VHE é rara, mas nas regiões tropicais foi já responsável por graves epidemias.
Nas zonas em que é endémica, calcula-se que a taxa de mortalidade infantil causada pela hepatite E seja superior a 30. Incide sobretudo nos adultos entre os 15 e os 40 anos. Pode ser fulminante, mas quase sempre cura-se espontaneamente. À falta de tratamento específico, devem evitar-se medicamentos que possam ser tóxicos para o fígado.
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G – Com pouca incidência mas pouco conhecida
Calcula-se que a hepatite G corresponda a 0,3% das hepatites víricas. Por ser recente – só foi descoberta em 1995 – desconhecem-se ainda todas as formas de contágio possíveis, mas sabe-se que se transmite sobretudo por contacto sanguíneo. Assim, poderão estar em risco pessoas como as que partilham seringas e as que são sujeitas a transfusões de sangue. Também não há ainda muito conhecimento sobre as consequências de uma infecção pelo VHG, embora esteja já identificado que a grande maioria dos infectados se tornam portadores crónicos. Poderão, no entanto, nunca vir a sofrer de uma doença hepática.
SOS Hepatites
Foi a necessidade de partilhar experiências, forças e esperanças, entre doentes com hepatites vitais e os seus familiares, que conduziu à constituição da SOS Hepatites. Entre os seus objectivos contam-se também a sensibilização da sociedade e os dos profissionais de saúde para os problemas das hepatites e para a necessidade de combater a marginalização a que são votados os doentes. Para melhor alcançar estes propósitos, a associação aderiu à Plataforma Saúde e Diálogo, um fórum de entreajuda e solidariedade entre doentes, utentes dos serviços de saúde e profissionais de saúde, nomeadamente farmacêuticos.

