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Gota e dedinhos do pé

16 Outubro, 2009 0

Também os pés, os tornozelos e os joelhos, as mãos e os pulsos podem ser afectados. Esta é uma forma de artrite mais masculina do que feminina, embora a vulnerabilidade das mulheres aumente com a menopausa.

O género é, de facto, um factor de risco, a par da idade, com a doença a ser mais comum em adultos do que em crianças. Mas há outros, muitos deles associados ao estilo de vida: uma alimentação rica em purinas, o consumo de álcool e o excesso de peso também condicionam a probabilidade de desenvolver gota.

A genética é outro dos factores de risco, estimando-se que 20 por cento dos doentes tenham antecedentes familiares de gota. Algumas doenças e medicamentos entram igualmente nesta equação: assim acontece com a hipertensão (não controlada), com o colesterol elevado, a diabetes e a aterosclerose e com a toma de determinados diuréticos e de certas baixas doses de aspirina, bem como de medicamentos usados para prevenir a rejeição de órgãos após transplante.

O consumo de niacina, uma vitamina do complexo B, também propicia o desenvolvimento de gota.

 

Aliviar a dor e prevenir complicações

Sem tratamento, a dor típica da gota pode manter-se por mais de uma semana, permanecendo ainda algum desconforto, até que a articulação fica, aparentemente, normal. O alívio da dor é o objectivo imediato do tratamento, mas a prevenção de futuras crises e de complicações faz também parte da estratégia clínica.

É que, a prazo, a gota pode envolver cada vez mais articulações e causar-lhes danos severos. O próprio osso pode ser destruído. Além disso, as crises podem tornar-se recorrentes e, com o tempo, podem desenvolver-se nódulos subcutâneos formados por cristais de ácido úrico, sobretudo nos dedos dos pés e das mãos e nos cotovelos.

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Há ainda o risco de os cristais se concentrarem no sistema urinário, dando origem à chamada “pedra nos rins” (litíase renal). Reduzir o desconforto causado pelos sintomas da gota e prevenir complicações é, pois, o duplo objectivo do tratamento, que passa pela combinação de medicamentos e alterações no estilo de vida.

Do ponto de vista farmacológico são usados, em primeira linha, os anti-inflamatórios não esteróides ou os corticosteróides, destinados ao alívio dos sintomas de uma crise aguda. Reduzem a inflamação mas não têm efeito na quantidade de ácido úrico acumulado no organismo.

Essa é a função de outro tipo de medicamentos – os que têm acção preventiva e que tanto podem bloquear a produção de ácido úrico como acelerar a sua eliminação do organismo.

Mas, além de cumprir a terapêutica, os doentes têm um papel decisivo na prevenção das crises de gota. Nomeadamente, reduzindo a ingestão de alimentos contendo purinas, evitando as bebidas alcoólicas, ingerindo mais hidratos de carbono complexos e cortando no consumo de proteínas animais.

A ingestão de líquidos, sobretudo água, é fundamental, pois contribui para diluir o ácido úrico no sangue e na urina. Controlar o peso, mantendo-o nos níveis considerados saudáveis, é um dos factores mais importantes, o mesmo acontecendo com o controlo dos valores de pressão arterial, colesterol e glicemia.

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