Ginástica mental
Endorfinas: o “ópio” do corpo
As endorfinas – substâncias químicas libertadas durante o exercício físico – funcionam como “opiáceos” internos do organismo. Devido à falta de consenso científico, “não se pode confirmar se a sensação de euforia e bem-estar, que decorre do exercício físico, advém da libertação das endorfinas”, diz Óscar Gonçalves. A oxigenação cerebral e, por conseguinte, uma maior nutrição dos tecidos é outra das eventuais explicações avançadas para justificar a regulação emocional que ocorre no período pós-exercício físico. Nesta matéria, existem alguns mitos que aliam a “dependência” do exercício físico à libertação de endorfinas.
Contudo, o especialista desmistifica esta teoria: “A dependência do exercício físico pode estar associada ao estado de conforto e bem-estar que se obtém no momento posterior ao esforço. Raramente um indivíduo relata sensações de euforia ou prazer durante uma actividade intensa.”
O exercício da mente
O hipocampo é uma zona cerebral responsável pela aprendizagem e pela memória. O processo de oxigenação e vascularização, derivado do exercício físico, fomenta a formação de novas células e ajuda a reduzir os efeitos do cortisol. Esta substância, produzida pelo organismo, quando presente em doses moderadas, exerce uma acção imunitária. Mas, em excesso, perante uma situação de stress exacerbado, acaba por produzir efeitos tóxicos em diferentes zonas cerebrais. Segundo Óscar Gonçalves, o exercício físico, “como antagonista do cortisol, permite, também, contrariar a resposta aos ciclos do stress”. Desta forma, assume-se como um antídoto do stress e da ansiedade.
Apesar do contributo do exercício físico na melhoria dos processos de aprendizagem e memória, o especialista sublinha que a melhor forma de “muscular” o cérebro e produzir uma maior eficiência mental é mantendo uma actividade intelectual regular. “A estimulação cognitiva é o elemento central da produção de novos neurónios e sinapses [conexões] entre os neurónios”, considera o especialista, que avança com um exemplo: “O cérebro, à semelhança dos músculos [embora estes tenham uma maior plasticidade], necessita de estimulação para se manter em forma. Os neurónios, tal como os músculos, estão dependentes da activação constante.”
Na perspectiva de Óscar Gonçalves, “Use it or loose it”, à boa moda anglosaxónica, é o princípio que rege o funcionamento cerebral. A inactividade provoca, segundo o psicólogo, uma “atrofia das estruturas e, por conseguinte, uma diminuição da sua funcionalidade”.
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