Fobia Social: Mais do que timidez
Em estudo está também a influência da amígdala cerebelosa, uma estrutura do cérebro envolvida no mecanismo de resposta ao medo.
Pessoas com uma amígdala mais activa poderão desenvolver maior ansiedade em situações sociais.
Entre as teorias encontra-se também a que responsabiliza o ambiente familiar pela ansiedade: filhos de pais mais controladores ou protectores tenderão a desenvolver maior ansiedade, da mesma forma que filhos de pais extremamente ansiosos lhes poderão copiar os comportamentos.
Parece igualmente haver uma relação entre as experiências da infância e a fobia social na idade adulta: crianças humilhadas e rejeitadas ou vítimas de abusos e maus tratos poderão vir a ser mais propensas a evitar o contacto social.
Antes que se complique
Dadas as repercussões na qualidade de vida e o risco de complicações é fundamental reconhecer os sinais da fobia social o quanto antes e procurar ajuda médica.
Não há um teste laboratorial que permita identificar esta desordem, mas sim uma avaliação física e psicológica que, através da descrição dos sintomas, conduz a um diagnóstico.
Entre os critérios considerados para essa avaliação incluem-se a existência de um medo persistente em situações sociais, nas quais o doente acredita estar a ser escrutinado, uma sensação de grande ansiedade nessas situações, o reconhecimento de que o nível de ansiedade é excessivo e desproporcionado, a fuga de situações e experiências que possam produzir ansiedade e a interferência dessa ansiedade com o quotidiano e a qualidade de vida.
Face ao diagnóstico, tratar é fundamental. É que, sem tratamento, a ansiedade social acaba por dominar a vida, interferindo com as relações e as actividades: nos casos mais graves pode conduzir a comportamentos como alcoolismo ou toxicodependência e abrir caminho a estados depressivos ou até ao suicídio. Este é o risco máximo, que se previne se os sintomas estiverem controlados e o doente adoptar estratégias que o deixem mais confiante e relaxado. É esse o objectivo do tratamento, cujas vertentes são os medicamentos e a psicoterapia, normalmente combinadas.
Entre os medicamentos destacamse os antidepressivos, os ansiolíticos e os beta-bloqueadores.
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Quanto à terapia, assenta na ideia de que são os pensamentos do próprio, e não outras pessoas ou situações, que determinam o modo como se age ou reage: mesmo que uma situação desagradável não mude, é possível mudar o modo como se pensa e agir de uma forma positiva. O doente aprende a reconhecer e a alterar os pensamentos negativos sobre si próprio.
Paralelamente, vai sendo exposto às situações que geram ansiedade, aprendendo, a pouco e pouco, a enfrentá-las, ganhando confiança.
Este é um caminho feito de altos e baixos, com avanços e retrocessos, e que leva o seu tempo a percorrer até alcançar a meta.
Crianças tímidas
A timidez é comum na infância. E partilha alguns sintomas com a ansiedade social: rubor, sudação intensa, tensão muscular, palpitações e tremuras. São sintomas que estão presentes em crianças que não se sentem à vontade no contacto com outras, quer seja na sala de aulas, quer seja nos espaços de recreio.

