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Entrevista Fátima Lopes: “O futuro das gerações vindouras depende dos nossos comportamentos ambientais”

27 Setembro, 2008 0

E onde se observa um maior desconhecimento desta prática?
Em zonais mais rurais, percebemos que as pessoas nem sequer estão elucidadas sobre a divisão do lixo. Não por inexistência de campanhas de informação. Mas porque, simplesmente, existe uma falta de sensibilização por parte da população. Muitas das vezes, são as camadas mais jovens que instruem os adultos a alterar comportamentos ambientais.

No fundo, há uma certa ambiguidade. Porque, se por um lado, os adultos são os que apresentam maior défice de informação, são, simultaneamente, os que consomem a maior parcela de medicamentos…
Sim. Mas não é apenas por uma questão de falta de informação. As gerações mais velhas – as maiores consumidoras de medicamentos – por vezes não dão o destino adequado aos medicamentos fora de prazo. Esta rotina pode implicar uma deslocação propositada à farmácia, para entregarem estes produtos, razão pela qual muitas pessoas ainda não aderiram a esta prática.

Mas a entrega de medicamentos e embalagens fora de uso não implica, necessariamente, uma deslocação propositada à farmácia…
É uma questão de método. Normalmente, eu guardo os medicamentos fora de prazo num saco, em casa, até à próxima ida à farmácia ou até ao dia em que sei que vou passar perto de um destes estabelecimentos. Não me incomoda nada acumular os medicamentos num saco durante três meses. Sei que, por uma questão de atitude, há pessoas que continuam a depositar estes produtos no mesmo recipiente do lixo biológico. Parte-se do princípio que, mais um, menos um, ninguém conta. Urge mudar esta atitude, porque se, isoladamente, continuarmos a pensar todos da mesma forma, as práticas ambientais não se alteram.

Ainda existe a falsa crença de que os medicamentos são produtos biodegradáveis?
Os medicamentos são produtos químicos. E não são amigos do ambiente. É por estas razões que os medicamentos fora de prazo e as respectivas embalagens devem ser entregues nos locais próprios, para, posteriormente, serem reciclados. É como as radiografias, que, erradamente, se cortam aos pedaços e se atiram para o balde do lixo comum.

O facto de ser uma figura pública ajuda a moldar comportamentos e atitudes?
As figuras públicas exercem influência a esse nível. Tanto pela imagem que foi construída, como pelo nível de credibilidade. Uma mensagem veiculada por uma figura pública tem mais impacto do que se for um anónimo. Não é por acaso que muitas das figuras conhecidas dos portugueses “emprestam” a imagem para algumas campanhas de sensibilização.

Antes da campanha da Valormed já tinha a rotina de entregar os medicamentos fora de uso na farmácia?
Já tinha algum cuidado, mas, depois de ter sido devidamente informada, adoptei esta rotina com mais frequência. E, hoje em dia, em minha casa, os medicamentos fora de prazo são todos entregues na farmácia.

É uma ideia simples que pode fazer muito pelo ambiente…
Separar os medicamentos é muito simples. Na verdade, não dá trabalho nenhum e faz-nos sentir muito melhor, por estarmos a ajudar o ambiente. O futuro das gerações vindouras depende dos nossos comportamentos ambientais.

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