Em 2006, 100 novas Unidades de Saúde Familiares vão atender dois milhões de portugueses
Dr. António Branco: “As novas USF vão melhorar a acessibilidade dos cidadãos aos cuidados de saúde primários”
“Os cidadãos utentes dos Centros de Saúde vão beneficiar com a criação das Unidades de Saúde Familiares (USF) nos Centros de Saúde. Logo de imediato, ao nível das amenidades, isto é, uma maior acessibilidade aos cuidados de saúde primários, conveniência, horários, conforto e bem-estar”, declarou ao Jornal do Centro de Saúde o Presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, Dr. António Branco.
“Entre os cinco objectivos prioritários da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, destaca-se a reforma dos cuidados de saúde primários, com a criação das USF, a par da reconfiguração dos Centros de Saúde, acolhendo as novas estruturas e acomodando-as harmoniosa e progressivamente”, disse António Branco.
Este responsável explicou ainda ao Jornal do Centro de Saúde que, para além das amenidades, “os resultados e o desempenho são outros dois indicadores de qualidade dos serviços” utilizados por esta Administração.
As USF serão pequenas unidades operacionais de saúde familiar, constituídas por equipas multiprofissionais a funcionar dentro dos Centros de Saúde, com autonomia de gestão técnico-assistencial e funcional, trabalhando em rede e próximo dos cidadãos, anunciadas pelo Ministro da Saúde, Correia de Campos, a 12 de Janeiro, em Lisboa. Ao longo deste ano, vão dar um médico de família a cerca de 225 mil utentes.
“Já temos vários anos de experiência com um sistema muito próximo das USF em que os médicos funcionam como um pequeno grupo, ajudam-se mutuamente, articulam-se e substituem-se. É uma experiência muito positiva, o que se trata aqui é de a alargar”, declarou o ministro da Saúde.
O objectivo é melhorar a qualidade assistencial dos cuidados de saúde primários e tornar o Sistema Nacional de Saúde mais coeso. A meta será aproximar o utente do médico e permitir uma maior “acessibilidade e conforto às pessoas”, defendeu Correia de Campos.
Ainda numa fase de entrega de candidaturas, estão previstas arrancarem cem Unidades de Saúde Familiares ao longo deste ano de 2006, que atenderão cerca de dois milhões de portugueses.
Estas USF contam com três a oito médicos aos quais se juntam enfermeiros e administrativos que deverão assegurar uma unidade que deve abranger entre quatro a 14 mil utentes.
Depois de aprovada cada candidatura, estará disponível uma carteira básica de serviços de cada USF no sentido de cada utente escolher a que melhor satisfaz as suas necessidades.
Além disso, a reforma vai contribuir para reduzir em cerca de 30 por cento os 750 mil portugueses sem médico de família.
Mais médicos de família
O coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco, afirmou ao Jornal do centro de Saúde que não se trata do “milagre da multiplicação dos médicos, mas vai aumentar a cobertura da população que, neste momento, está sem médico de família”.
A classe vai poder ter mais autonomia e terá um diferente sistema de remuneração. Cada médico ganhará em função do número de doentes que atender, o que permite o aumento das consultas ao domicílio.
“Está aqui muito mais em causa do que o ordenado dos médicos, está aqui em causa o trabalho em equipa e a autonomia profissional”, defendeu Luís Pisco. O coordenador afirmou também que esta medida proporcionará um “melhor desempenho” por parte dos profissionais de saúde, pois passa a existir mais “concorrência”.
Motivar a classe médica é também um dos objectivos desta reforma, já que, segundo o ministro da Saúde, “têm toda a razão para estarem insatisfeitos, visto que é uma reforma que se prolonga há 24 anos”.
“Não começaríamos esta marcha se não tivéssemos a convicção plena de que os resultados são positivos”, defendeu Correia de Campos.
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