Drogas: Pais & Filhos
– Não se envergonharem por terem um filho “drogado”. Devem falar com ele, pedir ajuda a pais na mesma situação e/ou a especialistas.
– Procurarem ajudar o filho em vez de lhe atirarem à cara as asneiras que anda a fazer, tomando consciência que tão cedo as asneiras não vão acabar.
– Aceitarem que, ainda que inconscientemente, são eles pais que sustentam o vício dos filhos, facilitando-lhes a vida.
– Não acusar, mesmo que seja esse o impulso que sentem, num momento de raiva e desespero.
– Darem um acompanhamento mais activo, paralelamente ao apoio prestado pelos técnicos.
O meu filho está a usar drogas?
Sinais de alerta:
– Desinteresse repentino pelos verdadeiros amigos, pela escola, pela família e pelos desportos.
– Isolamento. Passar horas a fio na rua ou enfiados no quarto.
– Pedir bastante dinheiro em casa, utilizando os mais variados pretextos (virtual pagamento de multas, gasolina, etc)
– Começar a ser bastante crítico com as pessoas e com a vida.
– Cada vez mais dificuldade em acordar ou adormecer.
– Mudança súbita de vestuário e desleixo.
– Desaparecimento de objectos pessoais ou de familiares (ouro, antiguidades, etc.)
O meu filho é toxicodependente.
O que fazer?
– Identificar e utilizar valores tais como a saúde, o(a) companheiro(a) ou família, a aparência, a relação com Deus, a inteligência, a posição na comunidade, o auto-respeito, a sua profissão ou os amigos.
– Motivação. A melhor resposta que se pode dar à pergunta: “Quando é que as pessoas mudam?” ainda é: “quando as próprias quiserem”. O que se pode fazer então é activar o desejo de saída, contrariando a filosofia de algum modo instalada no nosso país de que as drogas vieram para ficar e que não há outra solução senão adaptarmo-nos a elas, fazendo ver ainda que ao contrário do que alguns apregoam, a toxicodependência não é uma doença crónica, recorrente e fatalmente progressiva e que há saída para ela.
– Recompensas. Pesar os custos e os benefícios da toxicodependência. As pessoas desistem da droga quando começam a ter mais recompensas por viverem sem ela do que com ela.
– Recursos. Identificar forças e fraquezas, avaliando as reservas que se tem e as que estão a faltar para depois as ir buscar!
– Procurar apoio entre as pessoas mais próximas, a começar pela família.
– Procurar amadurecer a identidade pela procura do auto-respeito e de uma vida de novo responsável.
– Procurar alcançar objectivos mais altos, perseguindo e atingindo coisas de valor, como por exemplo coisas que beneficiem outras pessoas e contribuam para o bem-estar da comunidade. Habitualmente, quando alguém deixa de ser egoísta e se foca nas outras pessoas, acaba por desistir do seu comportamento auto-destrutivo.
Dr. Manuel Pinto Coelho
Na teia da droga
Uma vez deixados enredar na teia da droga, só se conseguem libertar quando assumem responsabilidades perante si e os outros. Apenas quando forem capazes de tomar decisões e terem arcaboiço para suportar depois as consequências é que conseguem dar esse passo.
Isso acontece quando conseguirem reconhecer obrigações nos valores (habitualmente adormecidos durante a fase dos consumos) que sustentam, quer eles estejam relacionados com os seus filhos, pais, amigos, empregados, colegas, vizinhos, ou com o país em que vivem.
Acresce que a sociedade de consumo, na qual todos nos integramos, está aliada a diversas questões, como forte individualismo (egoísmo), competitividade, busca incessante do cómodo e confortável, falta de solidariedade e de comunicação, ansiedade e stress, factores estes que vão provocar depois, insegurança e instabilidade psicológica.

