Dormir mal pode ser perigoso – Apneia do sono
Os distúrbios do sono, como apneia do sono, têm vindo a adquirir uma importância crescente, fruto das actuais características socioculturais das sociedades urbanizadas.
Entre esses distúrbios realce para a Síndroma da Apneia Obstrutiva do Sono, doença caracterizada por paragens da respiração durante o sono – apneias – geralmente associadas a roncopatia – ressonar. É causada pelo colapso e obstrução das vias aéreas superiores que impede a passagem do ar, passando o problema a ter significado clínico quando as paragens respiratórias duram mais de 10 segundos e sucedem mais de 5 vezes por hora.
Esta doença, que afecta cerca de 5% das pessoas, está associada a factores de risco, como o excesso de peso e a obesidade (factor de risco principal), o tabagismo, a ingestão exagerada de álcool, consumo de certos medicamentos (sedativos, relaxantes musculares e indutores do sono), aceitando-se haver uma predisposição genética.
A maioria dos doentes não se apercebe do problema. Porém, alguns sintomas devem fazer suspeitar da existência de Apneia do Sono: excesso de sono durante o dia, despertares recorrentes durante o sono, sensação de asfixia nocturna, sono não reparador, fadiga diurna e diminuição da concentração.
Estas características, num doente com factores de risco acima indicados, são fortemente sugestivas da doença e devem levar à realização do exame que confirma o diagnóstico: estudo poligráfico do sono nocturno.
As apneias nocturnas originam um leque variado de alterações que ultrapassam a esfera respiratória. Há deficiente oxigenação do sangue com reflexos em todo o organismo, desde o défice de memória até à impotência sexual.
A hipersonolência diurna afecta a vida social, familiar e profissional, para além de estar na origem de múltiplos acidentes de viação – estes doentes têm, em média, sete vezes mais acidentes de viação. Ao nível do aparelho cardiovascular verifica-se subida da tensão arterial e aparecimento de arritmias, que podem levar a acidentes isquémicos, por vezes fatais. Os doentes com Síndroma da Apneia Obstrutiva do Sono têm maior probabilidade de morte súbita durante o sono.
Sendo uma doença com elevado potencial de gravidade, o que fazer para a evitar?
A perda de peso e a evicção do álcool e dos sedativos são as primeiras medidas a implementar. Importante, também, é o aconselhamento aos condutoresde veículos, já que o risco de acidentes é elevado.
Para além destas medidas gerais, por vezes há que tratar outras doenças que estão na base do problema, como alterações craniofaciais e défice de funcionamento da glândula tiroideia.
Porém, quando o problema se torna mais grave, o tratamento é feito através de um pequeno ventilador – CPAP – que, através de uma máscara facial, introduz nas vias aéreas ar sob pressão, impedindo assim o seu colapso. O sono melhora, as apneias diminuem ou desaparecem, reduz-se a sonolência diurna, melhora a performance da condução de veículos e melhoram a memória, o humor e os parâmetros cardiovasculares.
Sendo eficaz, o tratamento com o CPAP é muitas vezes interrompido pelo doente, devido a factores como a baixa motivação, inadaptação ao aparelho, ou intolerância aos seus efeitos adversos, por vezes, incomodativos: obstrução, secura, hipersecreção ou hemorragia nasal, inflamação dos olhos, ou lesões cutâneas provocadas pela máscara. Muitos destes efeitos têm solução fácil, não justificando, pois, a interrupção do tratamento.
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