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Disfunção eréctil: a ponta do icebergue?

9 Novembro, 2011 0

Existe hoje uma ligação inequívoca entre a disfunção eréctil (DE) e o desenvolvimento de patologia cardiovascular, com todas as consequências inerentes à sua gravidade. Esta ligação implica actualmente a necessidade de avaliar o risco cardiovascular do doente com DE.

As taxas de prevalência de DE aumentam com a idade, sendo de aproximadamente 50% entre os 40 e os 70 anos. A DE completa, definida pela total incapacidade de obter uma erecção, aumenta de 5% para 15% neste intervalo etário. Outros dados mostram uma prevalência global de 18,4% de DE acima dos 20 anos, correspondendo a cerca de 18 milhões de homens nos EUA. A esmagadora maioria dos estudos epidemiológicos e clínicos sustentam o facto de que as doenças ou condições crónicas tais como doenças cardíacas, diabetes mellitus, hipertensão arterial e obesidade serem os factores de risco primários para desenvolver DE.

O endotélio não é apenas uma barreira mecânica mas sim também um importante órgão com intensa actividade na manutenção da homeostase vascular. A disfunção endotelial (DEnd) é uma condição comum a qualquer evento que altere esta homeostase. É a essência de qualquer lesão vascular, estando envolvida em todos os seus graus de severidade. Um endotélio disfuncional é a base e um importante marcador precoce do desenvolvimento de aterosclerose, podendo desta forma contribuir para o desencadear de eventos cardiovasculares. A DE de causa vascular pode mesmo ser incluída neste grupo de eventos. O pequeno diâmetro das artérias penianas e a concentração relativa de endotélio e de fibras musculares lisas por unidade de volume tecidular sugerem que o leito vascular peniano possa ser um indicador sensível de doença vascular sistémica e um factor de risco independente para eventos cardiovasculares futuros. A nível clínico, a DE é comum em doentes com doença coronária silenciosa ou declarada. Este conceito de reconhecer a DEnd como um importante barómetro de saúde cardiovascular tem vindo hoje a tornar-se uma pedra basilar na oportunidade de agir activamente na prevenção da saúde vascular masculina.

 

Risco cardiovascular

De facto, a DE pode potencialmente ser aplicada como um factor preditivo do risco cardiovascular, de forma a conduzir a uma abordagem direccionada à identificação e modificação de factores de risco cardiovascular já estabelecidos ou menos bem estabelecidos. A grande vantagem deste tipo de aproximação é que a DE e a DEnd respondem igualmente a modificações do estilo de vida, nomeadamente em doentes obesos e que apresentam síndrome metabólica. Da mesma forma, todas as aplicações terapêuticas medicamentosas para a DE devem ser analisadas no que diz respeito à prevenção de patologias cardiovasculares. Este nexo está extremamente bem documentado no Segundo Consenso de Princeton, recomendando a estratificação do risco cardiovascular previamente ao início de actividade sexual.

De acordo com este documento, é evidente o reconhecimento do papel da DEnd como o denominador comum para DE e doença da artéria coronária. A DE é elevada ao papel de factor de risco para doença da artéria coronária em homens sem sintomas cardíacos e ainda ao papel de estabelecimento de uma excelente oportunidade para instituir uma terapêutica cardiovascular preventiva.

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