Diabetes, risco vascular e colesterol
De facto, nos últimos anos, um conjunto alargado de estudos clínicos tem consistentemente afirmado a importância do tratamento com fármacos redutores do colesterol (estatinas) na diminuição dos episódios cardiovasculares fatais e não fatais, nos doentes diabéticos. Estes medicamentos são capazes de controlar a síntese de colesterol no organismo, de diminuir os valores das LDL (o chamado colesterol mau) e de reduzir a produção de triglicéridos (outra das gorduras que acompanham o colesterol no diabético). Paralelamente, a redução e a modulação positiva das gorduras sanguíneas têm levado a substancial redução na ocorrência de eventos cardiovasculares e cerebrais e culminado no prolongamento da vida e na melhoria da qualidade da mesma.
Tratar as dislipidemias – a par do controlo efectivo e reiterado da hipertensão e da glicemia – tornou-se, para o diabético, um imperativo ético – com implicações sociais e económicas – que não pode ser olvidado ou desmerecido.
O cidadão vê, frequentemente, a Saúde (cambiada, habitualmente, na angústia, sofrimento e ansiedade) como um terreno de confrontação entre a durabilidade da vida e a superação de situações tidas como ameaças.
A necessidade de bem-estar e de sanidade atravessa todos os indivíduos e todas as classes sociais, ainda que com formas e premências, naturalmente, distintas e específicas. O doente diabético é um exemplo paradigmático desta realidade. Deve, pois, ter uma palavra nas opções terapêuticas, que quer eficazes e efectivas, e nos ditames que as enformam, de modo a aproximarem-se, o mais possível, das suas necessidades.
Por isso, qualquer estratégia de prevenção e tratamento no diabético, com ou sem doença vascular já evidente, deve estar integrada num plano mais largo de promoção da saúde (e de melhoria da qualidade de vida), de redução efectiva do risco cardiovascular (e das suas consequências nefastas e deletérias) e adaptado às características próprias e individuais, diversamente expressas.
Penso ser este o contexto em que deve ser enquadrada a prevenção cardiovascular e o tratamento das alterações lipídicas no doente diabético: um incentivo para a acção, em torno de uma estratégia eficaz, actuante e que reconheça a necessidade de atingir os objectivos terapêuticos («ter o doente diabético controlado»), imperativo de que não podemos abdicar. Esta é uma outra forma de apreender o acto médico – e de alargar os seus efeitos.
Razões para a aterosclerose
nos doentes diabéticos
• Alteração da dilatação vascular.
• Alteração dos lípidos (colesterol, triglicéridos e HDL).
• Tendência aumentada para a coagulação e trombose.
• Aumento do stress oxidativo.
• Alteração do sistema nervoso responsável pela regulação e vivência com o meio ambiente.
• Aumento persistente e não controlado da glicemia.
Dr. Pedro Marques da Silva
Especialista de Medicina Interna e de Hipertensão Clínica.
Responsável do Núcleo de Investigação Arterial –
Serviço de Medicina – Hospital de Santa Marta.
Presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose

