Diabetes – Agora: o momento ideal para controlar a diabetes
“Quem não tem diabetes deve adoptar estilos de vida saudáveis e, dessa forma, diminuir os factores de risco. Já os diabéticos devem prevenir o aparecimento das complicações, quer adoptando hábitos salutares quer controlando os níveis de glicemia, de lípidos e da tensão arterial“, alerta o Dr. José Manuel Boavida, coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes e Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD).
Estima-se que existam 900 mil diabéticos em Portugal, dos quais 400 mil estão ainda por diagnosticar. Dos 500 mil diagnosticados, entre 90% a 95% têm diabetes tipo 2. Menos comum, mas mais frequente nos mais novos, a diabetes tipo 1 afecta aproximadamente 3500 crianças e jovens, sendo que, por ano, cerca de 40 crianças com menos de quatro anos desenvolvem diabetes tipo 1. Importa clarificar que esta é uma doença auto-imune, caracterizada pela falência do pâncreas na produção de insulina; os doentes são insulinodependentes e nada podem fazer para evitar o seu aparecimento. Já a diabetes tipo 2 é provocada por hábitos de vida desadequados e evitáveis. Ambos os tipos requerem controlo rigoroso (glicemia, lípidos, tensão arterial), sob pena de aparecerem as complicações.
Actualmente, atendendo à divulgação da informação, sensibilização e aparecimento de novos tratamentos, não se pode dar espaço ao descontrolo. “Novos e melhores conhecimentos acerca da diabetes originaram o desenvolvimento de meios capazes de a controlar. Também levaram ao aparecimento de outras opções terapêuticas, nomeadamente novos fármacos, insulinas e, desde há 2 anos, bombas de insulina”, refere o Dr. Luís Gardete Correia, presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), fundada há 84 anos e onde são acompanhados mais de 15 mil indivíduos com diabetes. Todavia, José Manuel Boavida sublinha que “os resultados positivos dependem imenso do autocontrolo e responsabilidade das pessoas”.
É problemático descobrir a doença mais tarde. Ou seja, “em muitos casos, o diagnóstico é feito oito a dez anos após o aparecimento da doença, altura em que já surgiram complicações”, clarifica o presidente da APDP. E, para José Manuel Boavida, ainda existem lacunas na prevenção: “Continuamos a assistir ao aumento do número de casos e sabemos que 60% podiam ser evitados, se tivessem iniciado atempadamente programas de controlo de peso, através de alimentação adequada e exercício físico.” “Muitas pessoas descuram os sinais de alerta da diabetes, nomeadamente micção frequente, sede excessiva, aumento do apetite, perda de peso, cansaço, falta de interesse e de concentração, vómitos e dor de estômago (muitas vezes confundida com a gripe), uma sensação de formigueiro ou dormência nas mãos ou nos pés, visão turva, infecções e feridas de cicatrização lenta”, completa Jean Claude Mbanya.
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O desafio da sensibilização
A diabetes é uma doença que afecta o sistema circulatório e órgãos vitais. A retinopatia é a complicação mais frequente e a principal causa de cegueira na população diabética. Outras são a insuficiência renal, a neuropatia, as úlceras, que muitas vezes conduzem à amputação dos membros inferiores, os acidentes vasculares cerebrais e o enfarte do miocárdio nos jovens. Para evitar o seu aparecimento, os médicos supracitados insistem na importância da prevenção. Porém, são unânimes em relação à complexidade do processo de sensibilização junto da população. Afinal, envolve mudança não apenas de hábitos mas também de mentalidades.

