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Conhece as suas veias?

11 Abril, 2011 0

Sente as pernas cansadas? Tem derrames e varizes? Já reparou se as veias dos seus membros inferiores são azuladas e volumosas? Teste a saúde das suas veias neste artigo!

A doença venosa «consiste numa disfunção do sistema venoso dos membros inferiores, isto é, o sistema vascular que transporta o sangue da periferia para o coração. Há uma perda de elasticidade das veias e de cooptação das válvulas que estão no seu interior, de modo que o sangue não progride normalmente da periferia para o coração e vai ficando acumulado no seu interior», indica Eduardo Serra Brandão, Director do IRV. A evolução de todo este mecanismo – da perda da elasticidade da veia e da insuficiência das válvulas – vai fazer com que a doença se vá agravando progressivamente, passando por todos os seus estádios. «É uma doença crónica e se a pessoa não se tratar, vai sofrer dela. Se se tratar, como todas as doenças crónicas, vive sem problemas», diz-nos o cirurgião vascular.

 

Afecta mais mulheres ou homens?

Alguns estudos têm sido feitos acerca da incidência desta doença na população. Eduardo Serra Brandão indica que «há cerca de mais de uma década, foi feito um estudo epidemiológico que indicava que, em Portugal, tal como noutros países europeus, cerca de 1/3 da população sofria de doença venosa crónica». Mais recentemente, a Eurotest elaborou um estudo que chegou à conclusão que «mais de dois milhões de mulheres em idade activa sofrem desta doença».

Números alarmantes que nos indicam que o sexo feminino é o prevalecente. Ou seja, apesar da doença venosa crónica afectar também os homens, são as mulheres as que mais se devem preocupar. Esta realidade deve-se ao facto das mesmas terem mais factores de risco. Estão sujeitas às terapêuticas hormonais, às gravidezes e têm os seus próprios estrogénios (que têm acção sobre a veia) e desempenham múltiplas funções no dia-a-dia. «A mulher trabalha fora de casa, no lar, engoma, cozinha, trata dos filhos enquanto que o homem se senta a ver televisão», refere Eduardo Serra Brandão.

A doença pode existir logo à nascença, manifestando-se ao longo dos anos. «Tenho situações, embora pouco frequentes, de jovens com insuficiência venosa aos 13 anos. Aos 17 anos, já não é tão pouco frequente quanto isso», acrescenta.

 

Factores de risco

A doença venosa crónica pode ser tratada logo nos primeiros estádios evolutivos, se o paciente optar por prevenir ou evitar, o mais possível, os factores de risco.

«Existem múltiplas causas para esta doença: as determinantes e as secundárias. As causas determinantes incluem a genética; a obesidade, as longas permanências de ortostatismo (pessoas que estão muitas horas de pé); trabalhar em ambientes muito quentes e o uso continuado de terapêutica hormonal feminina, seja ela anticoncepcional, seja ela de compensação hormonal», salienta o Director do IRV.

No que respeita aos factores secundários, sabe-se que a doença pode surgir depois de uma intervenção cirúrgica, de um traumatismo ou de uma tromboflebite.

Os pacientes devem estar sempre atentos às suas situações de risco, sem se tornarem obcecados, e devem seguir, o mais possível, os conselhos que lhes são dados na consulta. «Se o médico recomendar uns collants de descanso, as pacientes devem usá-los, pelo menos, enquanto estão a trabalhar… Se o especialista sugerir a mudança do anti-concepcional, a paciente deve confirmar tal situação numa consulta com o seu ginecologista», indica Eduardo Serra Brandão.

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