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Comparticipação de opióides » Portugal na cauda da Europa

12 Maio, 2005 0

«Portugal é o único país da Europa no qual os opióides são comparticipados apenas a 40 por cento, ao passo que na esmagadora maioria dos países europeus estas substâncias são comparticipadas quase na sua totalidade.»

O alerta foi feito por Beatriz Craveiro Lopes, anestesista e vice-presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), durante o Encontro de Peritos em Dor, realizado em Lisboa, no qual participaram ainda Alexandra Fernandes, médica de família, Hermano Gouveia, gastrenterologista, Jaime Branco, reumatologista, Paulo Felicíssimo, ortopedista, e Victor Gil, cardiologista.

Não há “cura” para a dor, mas é possível tratá-la e controlá-la. Neste âmbito, a utilização de opióides para o controlo da dor é uma terapêutica eficaz e com efeitos secundários controláveis. Contudo, em Portugal o consumo de opióides é dos mais baixos da Europa, facto que, de acordo com os especialistas, pode ser explicado pelos mitos, tabus e lendas associados a estas substâncias, bem como pelo processo complicado e moroso na sua prescrição.

Hermano Gouveia, chefe de serviço de Gastrenterologia dos HUC, refere que «quando os doentes são reencaminhados para uma unidade de dor existe a percepção, tanto por parte do indivíduo como dos seus familiares, que a doença é incurável e relacionada com patologias oncológicas mesmo quando se trata de uma dor crónica de origem não oncológica».

Alexandra Fernandes, médica de família no Centro de Saúde de Setúbal na extensão de Fernão Ferro, evidencia que «os opióides têm sido subutilizados por falta de prática na sua utilização e por receio dos seus efeitos» realçando que os mitos associados a estas substâncias podem ser ultrapassados através de «um maior conhecimento de administração».

Para Beatriz Craveiro Lopes, «é imperativo que o processo de prescrição seja agilizado, é necessária uma maior comparticipação dos opióides e é preciso desfazer os mitos».

A (in)segurança dos anti-inflamatórios de última geração
Neste Encontro de Peritos em Dor, o primeiro realizado em Portugal, os especialistas discutiram também os dados referentes à segurança dos AINE’s inibidores da Cox-2, assunto que ainda aguarda uma decisão final por parte da Agência Europeia do Medicamento, e avaliaram o potencial de utilização em doentes portugueses.

Face a esta polémica, Vítor Gil, cardiologista no Hospital de Santa Cruz, afirma que «desde sempre que as pessoas ligadas à cardiologia alertaram para os efeitos cardiovasculares dos inibidores da Cox-2».

«Existe evidência suficiente para acautelar a prescrição de AINE’s inibidores da Cox-2 em doentes com risco ou com eventos anteriores cardiovasculares», refere Jaime Branco, responsável pela unidade de Reumatologia no Hospital Egas Moniz, acrescentando que estes devem ser prescritos «apenas quando necessário, na menor duração de tempo e com a menor dose possível, tendo sempre cuidado com a co-prescrição de outros fármacos».

«Estudos internacionais demonstram existir erros sistemáticos de prescrição de AINE’s pelos médicos de família», afirma Alexandra Fernandes, alertando para o facto de não se deverem prescrever anti-inflamatórios quando é necessário apenas um fármaco com acção analgésica.

Para Paulo Felicíssimo, ortopedista no Hospital Curry Cabral, os riscos de administração de AINE’s devem ser calculados e a prescrição deve ser baseada na relação risco/benefício. «Os Cox-2 representam uma porta entreaberta já que, apesar de não existir nenhuma conclusão certa, deve haver muito cuidado na sua prescrição.»

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