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Com algum medo!

15 Março, 2007 0

Daqui a 50 anos poderemos ter uma indústria de «construção» de órgãos humanos, ter filhos até aos 60 anos e uma geração de velhos que corre até aos noventa! Mas tal só acontecerá se tivermos ética, não estivermos em guerra e sem crescimento económico nos próximos anos.

Dependemos da Paz, da água, do oxigénio e do sol. São os bens mais básicos da vida! No dia em que uma destas fontes se esgote, não haverá saúde para todos.

As doenças variam de região para região de acordo com o clima e as condições de desenvolvimento de cada território. Dependem dos bens básicos de vida, dos hábitos das populações, do nível de instrução e do investimento que as sociedades fazem nas pessoas, no ambiente e nos mercados.

A saúde é o resultado do cruzamento dos aspectos biológicos e ambientais com o modo como os poderosos, os ricos e os pobres olham para a sociedade e expressam as suas práticas do quotidiano económico e social.

Os negócios dependem da saúde! E da Paz! Estão intimamente ligadas ao nível de desenvolvimento das populações e à sua capacidade de adquirir bens.

Recentemente, quase por milagre, em Portugal, os neoliberais descobriram que a saúde seria melhor se tivéssemos um «verdadeiro» mercado (transparente e concorrencial) privado. Mas… atenção que, devido à cultura instalada, tal ideia não passa de um sonho! Eventualmente, de um pesadelo.

Além do mais, nenhum país do mundo parecido com o nosso, em que a saúde seja maioritariamente privada, demonstrou melhores resultados do que outros em que ainda existe uma importante componente estatal, tanto no financiamento como na prestação de cuidados.

Nos países liberais, aqueles em que o mercado predomina sem controlo, o fosso no acesso e na qualidade de assistência entre os ricos e os pobres é maior. Nestes, a violência urbana tende a crescer! Se persistirem as desigualdades nesses locais, com o aumento da informação disponível, cresce o potencial de violência.

Nesses espaços, mesmo nos democráticos, porque a prática não corresponde à teoria e os políticos mentem de forma descarada, a democracia é uma mentira que não salvaguarda a vida dos excluídos, legitimando os seus actos violentos.

Ao contrário, nos países da Escandinávia, devido à cultura de transparência e à co-responsabilização de todos os intervenientes, os mercados e os sistemas privados funcionam bem e a saúde é melhor.
Com as mais recentes descobertas da Medicina, à medida que os ricos têm o direito a viver mais, porque acedem aos bens mais caros que a tecnologia desenvolve, irá crescer a revolta dos mais pobres, que não possuem os mesmos direitos.

É para que isto não aconteça em Portugal que, a par da privatização da saúde, deveremos promover sistemas redistribuidores eficazes, melhor política e maior transparência, garantindo a continuidade da participação do Estado na saúde, como financiador e como prestador de cuidados.

Não o fazer será, a curto prazo, condenar a Paz e destruir as condições de crescimento económico! Se nada fizermos, arriscamo-nos a, daqui a 10 anos, não termos dinheiro para pagar o SNS nem para garantir a Paz urbana!

Este é um problema económico e de cidadania empresarial com fortes impactos nas actuais e nas próximas gerações. Será que os órgãos de comunicação, os grandes grupos empresariais e os seus políticos «amigos» não vêem isto? Ou estarão a responder a uma estratégia de enriquecimento a todo o custo e a curto prazo, fiando-se na impunidade?

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