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XXVI Congresso de Cirurgia » Resistências aos antibióticos e Novas Opções Terapêuticas

16 Março, 2007 0

Mil e trezentas mortes anuais, são estes os números provocados pelo Staphylococcus aureus na Europa, com um custo associado ao problema, estimado em 117 milhões de euros por ano, segundo artigo do “Department of Medicines Policy and Standards”.

O Staphylococcus aureus resistente à meticilina foi reconhecido como um importante agente responsável por infecção nosocomial (adquirida em ambiente hospitalar) causando aproximadamente 21% de infecções da pele e 28% de infecções cirúrgicas.

Cerca de 60% das infecções por Staphylococcus aureus reportadas aos Centros de Controlo de Doença são meticilino resistentes (MRSA).

Nos hospitais, o MRSA pode conduzir ao aumento do custo do controlo de infecção, internamentos mais prolongados e terapêuticas mais dispendiosas.

Estes números levam a uma preocupação que será expressa no Simpósio “Resistências e Novas Opções Terapêuticas” – que decorreu hoje, integrado no XXVI Congresso de Cirurgia.

Uma das palestras de destaque é a do Professor Dr. Melo Cristino, investigador na área de microbiologia e professor na Faculdade de Medicina de Lisboa que apresenta o tema “Resistências em Portugal: ponto da situação”, que visa alertar para a questão da resistência antibiótica.

Esta questão tem vindo a tornar-se um grave problema de saúde pública, com implicações económicas, sociais e políticas. Em todo o mundo, os médicos enfrentam um desafio clínico cada vez maior porque as práticas correntes para prevenir e controlar a resistência antimicrobiana no hospital e na comunidade são ineficazes tornando-se fundamental a investigação de novos antibióticos.

O Professor Dr. António Sitges-Serra, chefe de cirurgia do Hospital del Mar em Barcelona e membro do Royal College of Surgeons (Edinburgh), vai abordar a “Falência da terapêutica antimicrobiana na peritonite: causas e soluções”, cujo objectivo é falar de infecções intra-abdominais e da peritonite, abordando o porquê das falhas e as soluções possíveis.

Infecções Intra-abdominais

As infecções intra-abdominais são problemas que podem variar consoante o grau de gravidade desde a apendicite aguda a infecções graves da zona abdominal.

Estas infecções têm taxas que variam nos doentes com infecção precoce entre os 3.5%, e os 60% em doentes com uma infecção associada à falência de órgãos secundários.

Estudos recentes mostram que as bactérias gram-negativas estavam presentes em 84% dos doentes enquanto as gram-positivas estavam presentes em 67% dos grupos estudados.

Só nos Estados Unidos, as infecções adquiridas no hospital atingem aproximadamente 2 milhões de doentes matando por ano cerca de 90 mil pessoas e custando à sociedade americana 4 a 5 biliões de dólares ano.

Os estudos sugerem que existe um aumento substancial da mortalidade, morbilidade e custo por doente com infecções resistentes versus doentes com infecções sensíveis.

As infecções nosocomiais conduzem a cerca de 2 milhões de hospitalizações anuais, por norma ocorrem 48 horas ou mais após o internamento e excluem qualquer infecção já incubada na altura do internamento. As bactérias envolvidas nestas infecções são frequentemente transmitidas de doente para doente, pessoal hospitalar ou através do meio ambiente.

Este panorama faz com que seja de importância vital não só o controlo da infecção a nível hospitalar, mas também o desenvolvimento de novas soluções terapêuticas, antibióticos capazes de ultrapassar este alarmante e progressivo fenómeno das resistências microbianas.

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