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Cancro da próstata com tratamento inovador

31 Maio, 2011 0

Um estudo publicado no The New England Jounal of Medicine demonstra melhorias significativas de sobrevivência em doentes com cancro da próstata avançado metastizado, anteriormente submetidos a quimioterapia, quando administrado um tratamento inovador, o acetato de abiraterona em associação com prednisona/prednisolona. O estudo foi promovido pela Ortho Biotech Oncology Research & Development, Unidade da Cougar Biotechnology, Inc., uma filiada da Janssen Pharmaceutical.

O acetato de abiraterona é um inibidor selectivo da biossíntese dos androgénios, que desempenham um papel fundamental na evolução do cancro da próstata. O próprio tumor, neste tipo de cancro, é uma fonte adicional de produção de androgénios, para além dos testículos e das glândulas supra-renais onde são produzidos primeiramente.

Após um seguimento mediano de 12,8 meses, a sobrevivência global do grupo a quem estava a ser administrado acetato de abiraterona com prednisona/prednisolona foi de 14,8 meses, ao passo que o grupo a quem estava a ser administrado prednisona/prednisolona, juntamente com placebo, foi de 10,9 meses (representando uma melhoria da mediana de sobrevivência em 36%). O tratamento com acetato de abiraterona também resultou em 35 % de redução no risco de morte quando comparado com o placebo. Este estudo incluiu 1.195 doentes com cancro da próstata metastizado resistente à castração que tinham sido previamente tratados com um ou dois regimes de quimioterapia, um dos quais contendo docetaxel.

Os investigadores acrescentam ainda que, apesar do estado de maior fragilidade e idade avançada da população em tratamento, os doentes aderiram bem ao tratamento com acetato de abiraterona, cuja toxicidade foi facilmente controlável e reversível.

“Atendendo ao facto de que homens com cancro da próstata avançado metastizado têm poucas opções, estamos satisfeitos com os resultados deste rigoroso estudo que demonstra que o acetato de abiraterona pode permitir uma maior sobrevivência destes doentes” refere Johann S. de Bono, MD, FRCP, MSC, PhD, Institute for Cancer Research, The Royal Marsden NHS Foundation Trust e autor principal. “Os dados indicam que o acetato de abiraterona tem potencial para dar resposta a uma necessidade médica não preenchida para estes doentes com cancro da próstata avançado metastático e para as suas famílias”.

O grupo de doentes tratado com abiraterona em associação com prednisona/prednisolona também demonstrou melhorias significativas nos objectivos secundários deste estudo: o tempo para progressão do PSA (mediana de 10.2 meses com abiraterona versus 6.6 meses com placebo) e um aumento na sobrevivência livre de progressão radiográfica (mediana de 5.6 meses com abiraterona versus 3.6 meses com placebo). Também a resposta de PSA total confirmada, definida como a redução em mais de 50% em relação ao valor basal, foi atingida em 29% dos doentes tratados com abiraterona e apenas em 6% dos doentes no grupo controlo.

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Arnaldo Castro Figueiredo, especialista em Urologia e Professor da Universidade de Coimbra refere que este tratamento “vem abrir uma nova avenida, porque permite algo que até agora não era possível” e explica que, para casos de tumor metastizado da próstata “a terapêutica inicial consiste na deprivação androgénica. No entanto, verifica-se que, a dado momento, o tumor volta a crescer, designando-se como “hormono-independente”. Contudo, continuam a existir níveis, ainda que muito baixos, de androgénios, pelo que a designação “hormono-independente” não é, em rigor, adequada. O único recurso nessa fase é a quimioterapia citotóxica, que constitui o fim de linha.”

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