Auto-vigilância do Diabético
A supressão da secreção de insulina quando a glicemia desce, não se verifica em geral quando se usa a insulina que administrada e, não segregada pelo pâncreas, ou quando se usam os antidiabéticos orais estimulantes da secreção da insulina.
Dadas as grandes variações da glicemia torna-se necessário que o doente diabético vigie os seus valores de glicemia para prevenir o aparecimento de baixas de açúcar ou de valores altos. Para além desta auto-vigilância da glicemia, o diabético deve vigiar o seu peso, vigiar a sua Pressão Arterial, vigiar os seus pés.
Neste momento estarão com certeza a perguntar: mas para que serve o auto-vigilância da glicemia? A auto-vigilância ser-ve para prevenir as complicações agudas da diabetes – hipo-glicemias – baixas de açúcar ou hiperglicemias – açúcar elevado. Por outro lado um bom controlo permite evitar as complicações tardias da diabetes. Vários estudos demonstraram que níveis de açúcar próximo do normal se associam a menor número de complicações oculares, renais, neurológicas ou cardíacas.
A auto-vigilância da glicemia é uma técnica que nos permite ajustar as diversas terapêuticas para manter a glicemia tão próxima do normal quanto possível: ou aumentar o exercício ou reduzir a ingestão alimentar, aumentar os antidiabéticos orais ou reduzir a insulina.
Esta é outra noção essencial: o auto-controlo não é um fim em si mesmo, é antes um meio para optimizar os agentes terapêuticos.
Como o nome sugere, a auto-vigilância da glicemia deve ser feito pelos próprios doentes, quando por exemplo, eles picam os dedos ou outros locais alternativos, como as eminências das mãos ou as zonas sem pelos dos braços para obter uma gota de sangue para determinar, em pequenos aparelhos conhecidos como glicómetros, o valor da glicemia.
A avaliação pode ainda ser feita pela implantação de fibras capilares a nível subcutâneo que são capazes de nos dar informações contínuas ou melhor muito frequentes (cada 20 minutos) durante 48 a 72 horas.
Estes dispositivos são particularmente úteis quando se suspeita que o doente faça grandes variações da glicemia durante a noite, momento em que em geral o doente não efectua auto-vigilância por estar a dormir. Nos doentes portadores de bombas infusoras de insulina, estes dispositivos de monitorização contínua podem ajudar a ajustar directamente a quantidade de insulina a ser infundida.
Os médicos frequentemente, em geral de 3 em 3 meses, aconselham a realização do doseamento de Hemoglobina glicada ou A1c. A hemoglobina glicada é um indicador médio do grau de equilíbrio glicémico durante os últimos dois meses e deve ter um valor inferior a 6,5% ou 7%.
A auto-vigilância gicémica é complementar do doseamento da A1c: se o valor da A1c estiver alto o médico deve recomendar ao seu doente que melhore o seu controlo o que só é possível pelo recurso a ajus-te da alimentação, do exercício ou da dose de medicação orientado pelos dados da auto-vigilância através das glicemias capilares ou contínuas das glicemias.
No que se refere à frequência do autocontrolo cada caso é um caso, ou seja cada doente necessita de fazer o autocontrolo que o seu médico lhe prescreve e que estabelece após diálogo. Obviamente que há regras básicas: se um doente diabético tipo 1 faz uma terapêutica intensiva com administração de uma ou 2 injecções de insulina basal e várias administrações de insulina prandiais antes das refeições é óbvio que deve determinar a glicemia antes da refeição para ajustar a dose de insulina a administrar.

