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Associação «Casa de Betânia» – Integrar socialmente a pessoa com deficiência intelectual

1 Setembro, 2004 0

Chama-se «Peças Únicas», sendo que o nome faz jus aos produtos que lá se encontram. Desde compotas, cartões e peças de artesanato, tudo é feito na «Casa de Betânia» ou por pessoas que colaboram voluntariamente com a instituição.

O grande passo que se avizinha para esta Associação é mesmo o projecto do Algueirão, que está a ser desenvolvido já a pensar na velhice dos residentes da «Casa de Betânia» e de outros do concelho de Sintra.

«Foi a Câmara Municipal de Sintra que nos cedeu um terreno onde vamos fazer uma nova residência, já de acordo com as normas da União Europeia. Lá vamos ter um centro de actividades formativas e educacionais e também lúdicas. É uma residência para um pequeno grupo, de entre oito a dez pessoas, e destina-se a todos os que estão em vias de entrar na formação, os que já não têm ou não encontram local de trabalho ou os que não podem, por algum motivo, trabalhar», sustenta Maria João Neves.

No âmbito de todos estes projectos, as duas amigas que fundaram a «Casa de Betânia» ainda têm espaço para fomentar o voluntariado, «algo que escasseia em Portugal», defende a nossa interlocutora.

E o curioso é que acabou por ser uma jovem e sorridente polaca a oferecer os seus serviços de forma voluntária e permanente.

«Encontrámos, este ano, uma jovem polaca que veio do seu país para ficar por seis meses. Agora optou por ficar a viver connosco. Ela estava a estudar Teologia na Universidade e nós conseguimos que ela continuasse os seus estudos na Universidade Católica. É a primeira vez que tal nos acontece», frisa Maria João Neves. No seu português muito bom, Marta Putkowska explica que o que a fez ficar foi «começar a gostar desta gente, começar a sentir-me parte desta família. Eles têm muito bom coração, são muito boa gente».

Marta Putkowska lembra que, quando chegou há um ano, «todos me receberam com um sorriso» e hoje, confessa, «já nem me lembro que antes não os conhecia».

Não faz planos de ir embora, apesar das saudades que sente da família, dos amigos e do seu país. É em Portugal que quer ficar, «neste mundo dentro do mundo, nesta ilha de pessoas boas à qual quero pertencer».

Porquê «Casa de Betânia»?

No Novo Testamento é referida uma família constituída por três irmãos, todos diferentes – Maria, Marta e Lázaro. Viviam numa aldeia chamada Betânia, onde vizinhos e amigos se davam como se fossem uma grande família. Entre eles encontrava-se, por vezes, Jesus. Neste lugar era rejeitada toda e qualquer forma de exclusão social, racial, física ou intelectual.

«É um pouco a ideia que aqui queremos fazer passar: ressuscitar para uma nova experiência de vida pessoas que parecem um pouco mortas para a vida. Estão alheadas da sociedade e da família, mas é nas suas potencialidades que queremos acreditar. Elas são, no fundo, iguais às outras», sintetiza Maria João Neves.

Prémio Saúde na Comunidade

A farmacêutica Bristol-Myers Squibb atribuiu à «Casa de Betânia» um prémio no valor de 5000 euros, distinguindo, assim, esta organização, que foi considerada como uma entidade que realiza trabalho válido na comunidade.

A iniciativa existe há três anos e agora, além do prémio atribuído à «Casa de Betânia», foram atribuídas duas menções honrosas no valor de 1500 euros. Os contemplados foram o projecto Teach, na Escola Básica n.º 1 de Algés, e o projecto Música no Hospital, que tem lugar no Hospital de Garcia de Orta, em Almada.

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