As vacinas, a gripe das aves e a doação de órgãos em destaque
O director-geral da Saúde, Dr. Francisco George, minimiza as preocupações em torno da gripe das aves e conversa sobre outros assuntos, como a vacina contra a meningite C e a doação de órgãos.
A introdução da vacina contra a meningite C no Plano Nacional de Vacinação e a criação de um grande centro de atendimento telefónico, apoiado por um portal, e destinado à triagem, aconselhamento e encaminhamento dos utentes do SNS são melhorias que o novo director-geral da Saúde, Dr. Francisco George, põe em marcha.
Alterações, para melhor, no domínio do planeamento familiar, e alargamento da doação de órgãos aos cônjuges, neste caso, a nível dos países ibero-americanos, inscrevem-se também entre as medidas a tomar nos próximos tempos.
A Direcção-Geral da Saúde (DGS) é uma instituição secular e, portanto, com grandes tradições no que toca às questões relacionadas com a promoção da saúde dos portugueses, a prevenção das doenças e a prestação de cuidados nestes domínios, quer na dimensão hospitalar, quer na dimensão a montante, uma e outra, em geral, e como se sabe, «sem mãos a medir».
Mas não é só. O seu titular recordou-nos que, para além daqueles aspectos, existe um conjunto «muito vasto» de problemas que a DGS «observa, acompanha e atende» através dos seus serviços. «Tudo o que diz respeito à saúde ambiental e às áreas mais tradicionais, como a saúde mental», está incluído neste universo.
As questões europeias e da cooperação técnica, sobretudo no âmbito dos países lusófonos, também passaram, recentemente, para a esfera das suas preocupações, alargando, assim, as frentes de trabalho que têm vindo a mobilizar as atenções da equipa dirigente da DGS que, «não obstante a boa obra realizada nos últimos tempos», pretende fazer «mais e melhor».
Licenciado em Medicina com distinção e especialista em Saúde Pública, Francisco George está preocupado, por exemplo, com a saúde ambiental, uma área de grande actualidade, no seu entender, uma vez que, tal como já foi sobejamente reconhecido, «os riscos ambientais podem ter efeitos susceptíveis de conduzir a uma alteração do padrão epidemiológico», quer no tocante à morbilidade, quer à mortalidade.
Daí que a equipa dirigente da DGS esteja a pensar na identificação e redução daqueles factores de risco, por um lado, e no reforço das formas de protecção contra esses mesmos riscos, por outro. A «luz verde» para esta acção já foi dada, pois, como o nosso entrevistado fez questão de sublinhar, «estamos a falar de uma área muito importante em Saúde Pública».
Quadros asmatizóides
Têm sido difundidas muitas notícias referentes à variedade alotrópica do oxigénio O3, mais conhecida por ozono, tanto à que ocorre nos estratos mais altos da atmosfera (buraco de ozono), como à chamada «má» (ozono «mau»). O que se passa, portanto, já é do conhecimento, pelo menos, de quem lê e vê televisão.
Mas não será demais dizer que o problema da fragilização progressiva da camada mais alta daquele gás «tem efeitos negativos na saúde humana, nomeadamente, no tocante ao aumento da incidência do melanoma (tumor da pele, carregado de pigmentos).
Quanto ao chamado ozono «mau», trata-se de um «poluente atmosférico de superfície» provocado pela actividade humana. «Pode e deve ser controlado, pois tem efeitos negativos na saúde das pessoas, nomeadamente, no aumento da incidência de quadros asmatizóides», explicou, a propósito, Francisco George.
Sem dúvidas, quanto à gravidade do problema, que afecta cada vez mais os portugueses, «a DGS, em conjunto com as autoridades do ambiente, em particular com o Instituto do Ambiente, tem praticamente formulado um Plano de Ambiente e Saúde, que prevê a redução de riscos ambientais com efeitos em Saúde Pública».
Mas as preocupações do director-geral da Saúde não ficam por ali, e a política de planeamento familiar também vai sofrer algumas alterações, sobretudo em relação ao mecanismo que assegura a dispensa gratuita de pílulas anticoncepcionais de qualidade, por parte dos centros de saúde.
«O mecanismo tem não só de ser reforçado», adiantou Francisco George, «como melhorado na sua eficácia, a todos os níveis. A garantia de não ruptura dos stokes (tem havido interrupções no fornecimento, que não podem ser tolerados) fará, igualmente, parte das medidas a adoptar neste domínio, a muito curto prazo».
Outra novidade importante que a DGS pretende fazer avançar, antes do próximo Verão, tem a ver com a criação de «um grande centro de atendimento telefónico, apoiado por um portal, para os cidadãos utilizarem antes de acorrerem aos hospitais ou aos centros de saúde».
O projecto, cujo desenvolvimento começou a decorrer no âmbito das parcerias público-privado, está a ser conduzido por uma empresa do universos da Caixa Geral de Depósitos e pretende, essencialmente, «assegurar a triagem, o aconselhamento e o encaminhamento das pessoas para o Serviço Nacional de Saúde».

