As vacinas, a gripe das aves e a doação de órgãos em destaque
Actualização das vacinas
Apesar da premência dos processos que tem entre mãos, aquele responsável não deixa de considerar que o Plano Nacional de Vacinação «é um dos problemas estratégicos mais importantes» da «sua» DGS. «Não é por acaso que o estamos a acompanhar com redobrada atenção».
Bem-vistas as coisas, o programa de vacinação esteve na origem dos sucessos obtidos no domínio da saúde materno-infantil e foi responsável pelo êxito alcançado por Portugal, no tocante à descida da taxa de mortalidade infantil, resultados que Francisco George tem bem presentes na memória.
O titular da DGS aproveitou para realçar que «quatro mortos em cada mil nascimentos representa, em termos europeus e mesmo mundiais, um nível muito respeitável». Tão respeitável, que «Portugal está colocado nos lugares cimeiros», com fortes possibilidades de vir a melhorar a sua posição nos tempos mais próximos.
Tudo porque o Programa Nacional de Vacinação foi actualizado em Janeiro de 2006, com a introdução da vacina contra a meningite provocada pelo meningococo C (meningite C) e a substituição da vacina viva contra a poliomielite, por uma morta, injectável, medida inserida no quadro do projecto de erradicação da paralisia infantil.
Outra novidade importante dentro da mesma área tem a ver com a colocação no mercado, pela primeira vez, de vacinas injectáveis pentavalentes.
Gripe das aves
Confrontado com o facto de ser necessário esperar sete meses e meio (fabrico, até 180 dias, e aplicação, 42) para que a vacina inibidora do contágio da gripe das aves faça efeito, em caso de pandemia, o director-geral da Saúde foi peremptório: «Não podemos estar a criar este alarme todo, uma vez que, depois de entrar na Europa, o vírus deverá emergir entre três a seis meses no nosso País».
De qualquer maneira, «a sua prevenção tem vindo a ser assegurada com o máximo rigor, até porque o risco do vírus H5N1 vir a sofrer mutações e atingir o homem não deixa de ser real… Apesar de apenas 40 países, entre os quais Portugal, terem criado planos de contingência para lidar com o problema».
De acordo com Francisco George, «a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima, que uma vez iniciada a pandemia, a doença dará volta ao mundo em seis meses». Como está «tudo a postos», o melhor será «aguardar com calma» a evolução da situação.
Na opinião do director-geral da Saúde o problema da gripe das aves não tem deixado, «infelizmente», de ser motivo de «pouca qualificação» em Portugal, «mesmo por parte de alguma imprensa», apesar de se saber que «o assunto diz respeito, como o nome indica, a aves».
Insiste-se, em muitos casos», observou, a propósito, Francisco George, «na difusão do caso, sem fazer distinção da doença em aves, do problema da emergência de um novo subtipo de vírus, que poderá dar origem a uma pandemia em seres humanos».
O que acontece, portanto, é que «nós estamos confrontados com dois problemas diferentes», mas que se relacionam directamente: um deles «é uma episotia do vírus influenza H5N1 em aves, que tem uma expressão bastante alargada e, por isso, preocupante», como consideram as autoridades veterinárias de todo o mundo; o outro «tem a ver com a questão referente ao final do período interpandémico da gripe humana, que corresponde ao início da emergência de um novo subtipo de vírus, o qual, exactamente porque é novo, as pessoas ainda não têm anticorpos protectores e ele vai encontrar condições de propagação com dimensão pandémica».
Porém, e como adiantou, «não é possível antecipar, por enquanto, a identificação do vírus» (pode ou não ter relação com o influenza H5N1) que vai dar origem a essa próxima pandemia. Também «não se sabe nada», quer em relação à data em que a infecção se desenvolverá, quer à sua gravidade… à sua virulência.
Não obstante o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge ter afirmado que, no pior cenário, a gripe das aves poderá afectar 35% dos portugueses e matar 11 mil, Francisco George, que no contexto da OMS tem participado nos trabalhos da Assembleia Mundial da Saúde e do Comité Regional da Europa, preferiu não entrar, pelo menos por enquanto, no campo das estimativas.
«Actualmente», adiantou, «não é de todo possível fazer previsões para aquilo que vai acontecer e, por isso mesmo, a DGS está a trabalhar em todos os cenários possíveis, desde os mais favoráveis, aos menos favoráveis… Diria que estamos a equacionar os diferentes cenários e a prepararmo-nos para o confronto».
Um confronto em que serão utilizadas as medidas já «desenhadas» pela DGS, em conjunto com os institutos nacionais de Saúde Ricardo Jorge e da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), no sentido de «diminuir os efeitos da gripe», não sem articular os «planos de contingência» com os parceiros europeus, «nomeadamente no quadro da União Europeia, da OMS e, muito em especial, com Espanha».
Tal procedimento de controlo ficou, aliás, assente num encontro realizado há pouco tempo, em Bruxelas, que juntou os directores-gerais da Saúde dos 25 e os seus homólogos da Veterinária («é, sobretudo, a este domínio, que o problema diz respeito») , com representantes de várias estruturas europeias, de alguma forma relacionadas com o assunto.

