As Patologias do Sono – Principais Queixas
As queixas predominantes na Medicina do Sono são a insónia, a sonolência diurna excessiva, as perturbações respiratórias durante o sono (ressonar, apneias – paragens respiratórias) e as parassónias.
A insónia é ainda a queixa mais frequente e de maior complexidade que surge em consulta, sendo hoje consensual que o tratamento deve ser sempre que possível da sua causa e não, unicamente, do sintoma. A insónia, quando secundária a uma causa médica, comporta-se como a febre no decurso da infecção: chama a atenção para a doença principal, mas não basta tratar o sintoma (seja ele febre ou insónia) para curar o paciente.
Os distúrbios da respiração durante o sono têm tido crescente divulgação e hoje já não se encara com a mesma naturalidade que alguém ressone com intensidade e tenha pausas respiratórias durante o sono. Esses pacientes, por vezes obesos e hipertensos (embora possam ter peso normal e normotensão) correm risco acrescido de doença vascular cerebral e coronária e esta associação tem sido confirmada em estudos clínicos e epidemiológicos.
A sonolência diurna excessiva é também uma queixa nas perturbações nocturnas da respiração, embora possa fazer parte de situações clínicas em que pode ser o principal elemento do quadro clínico, como é o caso das hipersónias idiopáticas ou da narcolepsia.
As parassónias, que compreendem os terrores nocturnos e o sonambulismo, são mais frequentes em, crianças e nem sempre têm o carácter leve e anedótico que algumas pessoas lhe associam. A sua identificação e tratamento são importantes medidas de prevenção de acidentes com potencial gravidade.
Como se confirmam os distúrbios respiratórios nocturnos?
Os distúrbios respiratórios nocturnos podem consistir em roncopatia isolada, mas com alguma frequência há uma situação de Síndroma de Apneia Obstrutiva do Sono. Nesta, o paciente tem uma obstrução recorrente das Vias Aéreas Superiores, vencida pelo aumento progressivo do esforço respiratório. Tal causa fragmentação do sono, variação de frequência cardíaca e de tensão arterial e tem como consequência um sono não regenerador. Nos adultos há frequentemente uma tendência anormal para adormecer durante o dia, particularmente em situações monótonas (por exemplo, a conduzir um automóvel ou a assistir a um programa de TV), enquanto nas crianças dá mais frequentemente hiperactividade ou outros distúrbios comportamentais e quebra do aproveitamento escolar.
A forma de avaliar estes problemas é monitorizar o sono destes pacientes, de forma a identificar as fases de sono pelo EEG, o ritmo cardíaco, o esforço respiratório, o fluxo de ar nas vias aéreas, o grau de actividade muscular e um conjunto de outras variáveis. Isto consegue-se, hoje em dia, tanto em Laboratórios de Sono como em casa do paciente, por meio de aparelhos de registo ambulatório.
Qual o papel do Laboratório de Sono nas Parassónias? E nas insónias?
O Laboratório de Sono é fundamental nas parassónias para determinar o seu tipo e padrão e relacionar a eclosão das mesmas com as diferentes fases do sono, factor de importância na escolha do respectivo tratamento. Neste caso, a conjugação da captação de imagens de vídeo sincronizadas com o traçado da Polissonografia é fundamental para a análise e correcta caracterização dos fenómenos.
Nas insónias, a investigação de causas intrínsecas ao processo de sono pressupõe a realização de Polissonografia. Do universo destas possíveis causas, os Movimentos Periódicos do Sono, movimentos imperceptíveis que ocorrem de forma regular ao longo da noite e que causam fragmentação do sono, são um exemplo de causa tratável de insónia.
Que tratamentos existem para as principais Patologias do Sono?
Os distúrbios respiratórios do sono, como a roncopatia e particularmente as apneias obstrutivas do sono, têm tratamentos cirúrgicos e médicos, isolados ou associados.
Nas crianças predominam as causas com cura cirúrgica, ligadas ao aumento de volume de tecidos linfóides (amígdalas, adenóides) ou a malformações faciais.
Nos adultos, pelo contrário, predominam as situações associadas a Índices de Massa Corporal muito aumentados e cujo manejo por suporte ventilatório é mais importante: o paciente usa uma máscara para administração de ar sob pressão para as vias áereas, o que impedem a sua vibração (que origina o ressonar) e o seu colapso (de que resultam as apneias).
Outras patologias, como a Narcolepsia ou o Movimento Periódico do Sono, têm tratamento medicamentoso.
O que fazer para dormir bem?
1. Manter uma alimentação fraccionada e equilibrada, evitando excesso de peso;
2. Evitar bebidas alcoólicas, particularmente no final do dia;
3. Não comer ou beber por hábito a meio da noite;
4. Não fumar, nomeadamente no final do dia e durante a noite;
5. Praticar actividade física regular, particularmente no início do dia. A prática desportiva à noite prejudica o sono;
6. Sair regularmente de manhã para aproveitar a luz solar, que tem um efeito regulador sobre os ritmos biológicos;
7. Não usar hipnóticos ou medicamentos tranquilizantes como norma antes de deitar, a menos que sob supervisão e conselho médico;
8. Ter um ambiente adequado no quarto de dormir, com redução de ruído e luz e proscrever os relógios luminosos das mesas de cabeceira, perpetuadores da ansiedade ligada ao tempo que se está acordado;
9. Não tomar banhos prolongados e de imersão antes de deitar, porque o aumento de temperatura corporal dificulta o sono.
Dr. António Atalaia – Neurofisiologista, British Hospital Lisbon XXI e British Hospital Campo de Ourique

